O tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, do Exército Brasileiro, foi o alvo em Mato Grosso do Sul da Operação Tempus Veritatis, que investiga a existência de suposta organização criminosa que teria atuado numa tentativa de golpe de Estado. A operação também teve outros 32 mandados de busca e quatro de prisão em mais nove estados.
Conforme a Polícia Federal, o tenente-coronel que atualmente está lotado no Comando Militar do Oeste, em Campo Grande, fazia parte do chamado “Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral”.
O tenente-coronel Medeiros é acusado de integrar o grupo que tinha a função de produzir, divulgar e amplificar notícias falsas quanto à lisura das eleições presidenciais de 2022 com a finalidade de estimular seguidores a permanecerem na frente de quartéis e prédios das Forças Armadas, no intuito de criar o ambiente propício para o Golpe de Estado.
Além do militar que atua em MS, entre os alvos da operação estão o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, o ex-ministro da Casa Civil, general Walter Souza Braga Netto, e o ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.
O ex-presidente Jair Bolsonaro também foi alvo. Agentes da PF estiveram cedo em sua residência, em busca do passaporte, mas ele alegou que o documento não estava com ele e se comprometeu a entregá-lo em 24 horas.
Diante da notícia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse esperar que o rigor da lei seja aplicado contra aqueles que atacaram a democracia, ao financiar os acampamentos que culminaram na tentativa de golpe do dia 8 de janeiro de 2022.
“É muito difícil um presidente da República comentar sobre uma operação da Polícia Federal que ocorre em segredo de Justiça. Espero que não ocorra nenhum excesso e seja aplicado o rigor da lei. Sabemos dos ataques à democracia. Precisamos saber quem financiou os acampamentos. Vamos esperar as investigações”, afirmou Lula.
A declaração foi um recorte de trecho da entrevista concedida por Lula à Rádio Itatiaia. O comentário se referia à operação que cumpre 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva, além de 48 medidas cautelares que incluem a proibição de manter contato com outros investigados, a proibição de se ausentar do país, com entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e a suspensão do exercício de funções públicas .
As medidas judiciais foram expedidas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Entre elas está a de apreender o passaporte do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação foi deflagrada após o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, ter fechado acordo de colaboração premiada com investigadores da PF. O acordo foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e já recebeu a homologação do STF.
Por meio de redes sociais, o advogado de Bolsonaro, Fábio Wajngarten, disse que “em cumprimento às decisões de hoje, o presidente Jair Bolsonaro entregará o passaporte às autoridades competentes. Já determinou que seu auxiliar direto, que foi alvo da mesma decisão e que se encontrava em Mambucaba, retorne para sua casa em Brasília, atendendo a ordem de não manter contato com os demais investigados”, postou Wajngarten.
Segundo a investigação, entre os alvos da operação estão:
- o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Augusto Heleno Ribeiro Pereira;
- ex-ministro da Casa Civil e da Defesa general Walter Souza Braga Netto;
- ex-ministro da Defesa general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira;
- major da reserva Ângelo Martins Denicoli;
- coronel reformado do Exército Aílton Gonçalves Moraes Barros;
- coronel Guilherme Marques Almeida;
- tenente-coronel Hélio Ferreira Lima;
- tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros
- ex-comandante-geral da Marinha almirante Almir Garnier Santos;
- general Mário Fernandes;
- ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira;
- general de Brigada reformado Laércio Vergílio;
- Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho;
- ex-ministro da Justiça, Anderson Torres;
- presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Mandados de prisão
- o ex-assessor especial de Bolsonaro Felipe Martins
- coronel Bernardo Romão Correa Neto
- coronel da reserva Marcelo Costa Câmara
- major Rafael Martins de Oliveira.
As medidas judiciais foram sendo cumpridas nos seguintes estados: Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. O Exército Brasileiro acompanha o cumprimento de alguns mandados.
(Com Agência Brasil)