Cidades

Investigação

Advogado de PMs que mataram vereador querem julgamento na justiça militar

O crime aconteceu no final da tarde de ontem, após o ex-vereador entrar em discussão com o ex-prefeito Douglas Figueiredo e também com o atual prefeito do município.

João Gabriel Vilalba

09/05/2024 - 18h22

Após um desentendimento com o ex-prefeito Douglas Figueiredo, o ex-vereador Wander Alves Meleiro, mais conhecido como 'Dinho Vital', de 40 anos, foi morto por policiais militares à paisana durante uma confraternização no final da tarde de ontem (9), em uma chácara próxima à BR-262, no município de Anastácio, a 137 quilômetros de Campo Grande.

O caso foi registrado na Polícia Civil do município, mas pode ser encaminhado á Polícia Militar para que inicie a investigação. Em nota, a corporação informou que todos os procedimentos legais foram seguidos e os policiais envolvidos já prestaram depoimento. 

Segundo o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, a cidade de Anastácio celebrava o 59º aniversário de sua municipalização. A vítima estava presente no evento e, em determinado momento, sob efeito de álcool, começou a proferir ameaças ao ex-prefeito Douglas Figueiredo.

O nervosismo de Dinho foi porque durante o evento, o atual prefeito da cidade, Nildo Alves de Albres, anunciou que lançaria Douglas como pré-candidato à prefeitura.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram momentos em que Dinho confronta o ex-prefeito. Em seguida, ele é contido por amigos e familiares. No entanto, posteriormente, passou a ameaçar todos os presentes na festa, afirmando que retornaria armado.

Ainda acordo com o registro policial, por volta das 16h, o ex-vereador voltou armado e os dois policiais militares, que segundo testemunhas, eram seguranças do local, se aproximaram do ex-vereador. Descontrolado com a situação, o Dinho apontou a arma para os policiais e efetuou disparos. Em defesa, os militares também atiraram no ex-vereador. 

Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, Dinho tentou correr para trás do veículo, mas caiu ao solo, não resistindo aos ferimentos, morrendo no local.

Ao Correio do Estado, o advogado dos policiais, Lucas Arguello, afirmou que os militares estavam na festa, um como convidado e o outro auxiliando a banda de música, quando foram acionados para intervir. Ambos já foram ouvidos e entregaram suas armas à corporação.

“Os policiais não tem nada a ver com a situação. Ambos estavam no evento curtindo o aniversário da cidade e em determinado momento, eles realizaram a defesa dos convidados do evento por conta da alteração do ex-vereador”, relatou para a reportagem 

“Segundo testemunhas em que conversei no local, Dinho saiu da chácara alterado. Em determinado momento, a esposa do ex-vereador entrou em contato com uma amiga dizendo, ‘sai daí que o Dinho vai fazer cagada’. Os policiais que estavam a paisana, ficaram preocupados com as crianças e as famílias que estavam no evento e foram para a entrada da chácara”, detalhou 
 

A reportagem entrou em contato também com a assessoria de Douglas Figueiredo, que afirmou ao Correio do Estado que o ex-prefeito está completamente abalado.

“Estão dizendo que ele discutiu com Dinho, o que não é verdade. O ex-vereador ficou bravo com o discurso do prefeito Nildo Albres e começou a se alterar com todo mundo. No vídeo que está sendo compartilhado nas redes sociais dá para ver que Douglas está sentado olhando a confusão. Ele lamenta pela tragédia que ocorreu e vale destacar que o episódio aconteceu depois que Douglas foi embora da chácara".

Os procedimentos legais foram tomados, afirma a Polícia Militar. 

Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou que durante festa em comemoração ao aniversário de Anastácio, dois policiais militares de folga foram acionados por participantes para intervirem em uma ocorrência em que havia uma pessoa armada. 

“Os policiais se deslocaram até o local, identificaram a pessoa armada com uma pistola, anunciaram que eram policiais militares e ordenaram que o homem colocasse a arma no chão, mesmo assim o homem não acatou a ordem legal dos PMs e, com arma em punho, partiu em direção aos policiais, diante do risco de vida dos policiais e de terceiros, eles efetuaram disparos contra o homem armado".

Eles ainda relataram que "todos os procedimentos legais foram tomados, as providências de Polícia Judiciária Militar foram realizadas, a perícia técnica do Estado foi acionada recolhendo todos os indícios e vestígios e a ação será investigada por meio de um Inquérito Policial Militar", finalizou a nota.

 

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