Cidades

Cartão Vermelho

Cezário e cúpula do futebol de MS vão continuar na cadeia

Pedido de liberdade do presidente da federação e dos demais envolvidos foi negado em audiência de custódia

Eduardo Miranda

22/05/2024 - 19h06

O juiz da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, Eduardo Eugênio Siravegna Junior, em audiência de custódia, manteve a prisão preventiva do presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), Francisco Cezario de Oliveira, e dos sobrinhos dele: Francisco Carlos Pereira, Marcelo Mitsuo Ezoe Pereira, Umberto Alves Pereira e Valdir Alves Pereira, além de Rudson Bogarim Barbosa.

Eles foram presos na manhã desta terça-feira (21) durante a Operação Cartão Vermelho, desencadeada pelo Grupo de Apoio Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que apura o desvio de pelo menos R$ 6 milhões de recursos, parte deles públicos, via Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul.

Cezário e os demais envolvidos são suspeitos da prática de crimes como peculato (desvio de dinheiro público), lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e demais delitos correlatos. A Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, órgão que tem voto e assento na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), era o principal meio para a prática destes crimes.

Siravegna também determinou nesta terça-feira (21) a busca e apreensão dos telefones celulares de Aparecido Alves Pereira, o Cido, um dos funcionários mais antigos da Federação de Futebol; do próprio Cezário; de Francisco Carlos Pereira; Francisca Rosa de Oliveira; Marcelo Mitsuo Ezoe Pereira; do vice-presidente da FFMS, Marcos Antônio Tavares; Marcos Paulo Abdala Tavares; Umberto Alves Pereira; Valdir Alves Pereira e de Rudson Alves Pereira.

O magistrado ainda autorizou uma devassa nos aparelhos e nos computadores, além de informações armazenadas em nuvem, sinal de que o Gaeco deve continuar com as investigações.

Desvio de dinheiro

Na mira dos investigadores está o convênio entre a Federação de Futebol e a Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), que bancava o transporte e a hospedagem dos jogadores nos campeonatos de futebol. Era deste convênio que parte dos recursos eram desviados, conforme aponta o Gaeco.

André Borges e Julieczar Barbosa, advogados de Cezário e de seus familiares, enviaram a seguinte declaração: "Os investigados irão exercer regularmente a defesa, garantia de todos; mas pedirão o direito de responderem ao processo em liberdade, como é assegurado pelo direito; no devido tempo, os esclarecimentos cabíveis serão prestados ao Judiciário".

Perguntado sobre se ingressaria com um pedido de Habeas Corpus em favor de Cezário, Borges disse que ele e seu colega adotarão as medidas previstas em lei, em momento oportuno.

A Operação

A Operação Cartão Vermelho, do Gaeco, foi desencadeada neste dia 21 de maio. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão. As investigações já duram 20 meses, os desvios passam dos R$ 6 milhões, e os saques rastreados, dos R$ 3 milhões.

Para escapar de órgãos de controle, como o Coaf, os envolvidos faziam sempre saques de valores inferiores a R$ 5 mil. Alguns desses saques foram fotografados e filmados pelos policiais do Gaeco.

Durante a busca e apreensão na casa de Cezário, mais de R$ 800 mil em espécie foram apreendidos.

 

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