Cidades

Ribas do Rio Pardo

Fazenda da Suzano em MS sofre tentativa de invasão por sem-terra

Acampamento ao lado de propriedade que fornecerá matéria-prima para megafábrica de celulose já tem mais de 60 barracos

Eduardo Miranda

16/07/2024 - 17h42

Um acampamento com aproximadamente 60 barracos de lona, em frente a uma das fazendas da Suzano S.A. em Ribas do Rio Pardo, preocupa a direção nacional da gigante mundial da celulose.

A empresa está prestes a colocar em operação, no mesmo município, distante 96 quilômetros da capital, Campo Grande, sua maior planta processadora de celulose, que também será a maior unidade em capacidade de produção do mundo.

Barraco atrás de cerca da Fazenda da Suzano, em Ribas/Reproução

Os supostos sem-terra chegaram a invadir a Fazenda Passará, que pertence à Suzano, no dia 13 de abril, mas acabaram deixando a propriedade após negociação com o setor de vigilância patrimonial e segurança da multinacional.

Atualmente, há uma liminar, em uma ação de interdito proibitório ajuizada pela Suzano na comarca de Ribas do Rio Pardo, que impede os acampados de retornarem ao território da fazenda, onde a Suzano planta eucalipto para servir de matéria-prima para a sua fábrica que está prestes a entrar em operação.

A Suzano recorreu à Justiça depois que os invasores saíram da propriedade, mas montaram, em uma estrada ao lado dela, um acampamento com mais de 60 barracos. A tentativa de ocupação da área (esbulho possessório) e o aumento de um acampamento nas imediações da propriedade levaram a Suzano a ingressar com uma ação de interdito proibitório (quando a posse de uma propriedade está em risco e o titular dela quer preservá-la) contra o grupo dos supostos sem-terra.

De acordo com os advogados da Suzano, apenas o líder da invasão, Sílvio dos Santos Menezes, foi identificado.

A ação foi ajuizada em 4 de junho, mas apenas um mês depois, no dia 5 de julho, Sílvio foi citado pela oficial de Justiça Rose Mary Aparecida de Araújo. Ela relatou ao juiz Claudio Müller Pareja, para o qual a ação foi distribuída, que não encontrou ninguém na área, apenas vários barracos.

Projeto Cerrado

A unidade processadora de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo, denominada Projeto Cerrado, deve entrar em operação até o fim deste mês. Os testes operacionais começaram na semana passada.

Depois da montagem eletromecânica da nova fábrica, iniciou-se o comissionamento – um processo que envolve uma série de verificações e testes para garantir o funcionamento adequado das instalações antes do início das operações.

Capaz de processar 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano, o Projeto Cerrado teve sua entrada em operação atrasada por causa de um suposto calote aplicado por uma de suas terceirizadas.

Conforme apuração do Correio do Estado, a empresa Enesa foi a causa do atraso no início das operações da fábrica, que custou R$ 22,2 bilhões.

Ao Correio do Estado, uma fonte revelou que a central de evaporação, cuja conclusão estava a cargo da Enesa, não foi concluída e, por isso, as atividades foram repassadas para a empresa capixaba Imetame, que já havia concluído sua parte na obra, mas continua trazendo até Campo Grande seus colaboradores em voos fretados diretamente do Espírito Santo.

Em uma ação judicial, a empresa GD - Fabricação e Montagem de Equipamentos Industriais Ltda. cobra pouco mais de R$ 7 milhões da Enesa, da Andritz Brasil, e da Suzano, por serviços de pintura na fábrica que não teriam sido quitados.

Ela exige a reparação de R$ 1,357 milhão em danos materiais e R$ 400 mil em danos morais. Mas a maior fatia é relativa a lucros cessantes, da ordem de R$ 5,34 milhões. O valor total da ação é de R$ 7,09 milhões.

Ainda há outros calotes sendo cobrados na Justiça. A empresa VBX Transportes é outra que está sendo acusada de deixar um rastro de dívidas da ordem de R$ 2,5 milhões com fornecedores de máquinas, donos de postos de combustíveis, supermercadistas e empresários de Ribas do Rio Pardo e de outros estados, como Minas Gerais e São Paulo.

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