Cidades

Tensão

Conflito deixa três indígenas feridos no interior de MS

Confronto com a PM teve início na tarde de ontem, e se estende até esta sexta-feira, com indígenas cercados na sede de uma fazenda; veja vídeo

Alanis Netto

13/09/2024 - 10h45

Através das redes sociais, a Aty Guasu, Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani, vem denunciando conflitos na aldeia Marangatu, localizada no município de Antônio João, distante aproximadamente 280,8 quilômetros da capital de Mato Grosso do Sul.

Em nota, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que a comunidade foi atacada pela Polícia Militar. Três pessoas, uma mulher e dois homens, ficaram feridas, e uma delas permanece internada no hospital.

"Após os eventos, a Força Nacional foi para a região. Os indígenas resistem cercados na sede da fazenda", diz texto do Cimi.

Na legenda de uma de suas publicações, a Aty Guasu relembrou os confrontos em Douradina, em julho deste ano, e pediu apoio. 

"Mais uma vez o povo Guarani Kaiowá não tem sossego, mês passado era no município de Douradina no qual teve conflito durante dois meses, e agora na outra região. Guarani Kaiowá precisa de apoio", diz legenda da publicação feita pela Aty Guasu.

Já na manhã desta sexta-feira (13), por volta das 8h, a Aty Guasu publicou um novo vídeo do confronto, dizendo que a situação persiste no local. "Urgente: Guarani Kaiowá está sob ataque no momento", diz legenda.

No vídeo, é possível ouvir diversos disparos. A Aty Guassu atribui os ataques à "milícia do agronegócio". Confira:

Segundo o Cimi, essa é a propriedade que ainda faltava ser retomada pela comunidade, sendo que a última tentativa ocorreu em 2016. Na ocasião, houve confronto com fazendeiros da localidade.

O conflito resultou na morte, a tiros, de Simião Vilhalva. Na TI Nhanderu Marangatu também foram assassinados Dorvalino Rocha, em 24 de dezembro de 2005, e Marçal Tupã, em novembro de 1983.

Decisão da Justiça

Após a tentativa de retomada, a Justiça Federal de Ponta Porã, através de decisão publicada ainda na quinta-feira (12), autorizou a atuação da polícia estadual para proteger a propriedade privada, o que foi considerado pelo Cimi a "legitimação da violência" contra a comunidade. O órgão considerou ainda a decisão "controversa e apressada".

 

 

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