Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Efetivo policial segue em área de conflito indígena no interior em MS

Passado 24 horas da morte de Nery, indígenas tiveram protesto em homenagem reprimido na tarde de ontem (19), com a sexta-feira (20) amanhecendo com ânimos mais "apaziguados"

Com ânimos mais "apaziguados" nessa sexta-feira (20), que amanhece sem registros de ataques ou conflitos entre povos originários e forças policiais, a Terra Indígena Ñanderu Marangatu e seus habitantes ainda viram resposta mais dura quando tentavam fazer um protesto junto à cruz de Dorvalino Rocha, 24 horas após a morte de Nery Ramos da Silva Guarani Kaiowá. 

Vídeo gravado ainda na quinta-feira (19) registra o momento tenso, em que é possível ouvir gritos indignados e sons de disparos, após os indígenas se reunirem junto às margens da rodovia MS-166. Confira: 

No registro feito na TI de Antônio João - distante mais de 280 km da Capital de Mato Grosso do Sul - é possível notar a hostilidade na ação contra os povos originários e, como bem aponta o advogado representante, Anderson Santos, um idoso foi ferido pela Polícia Militar. 

Segundo informações, esse senhor machucado chegou a sofrer um desmaio, momento em que todos acharam que ele havia morrido, mas felizmente não foi o caso. 

Conforme os povos originários da região, foi notório um aumento do contingente das forças policiais pela região, que atuam pela decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

Apoiados judicialmente, os policiais designados para área de conflito estão ordenados a garantir o ir e vir dos funcionários e 'proprietários' da Fazenda Barra, desde a rodovia até a sede, num percurso de mais de 10 quilômetros. 

Relatos indígenas apontam que o grupo residente na tekoha Ñanderu reuniu-se às margens da MS-166, junto à cruz de Dorvalino, morto nessa mesma Terra Indígena ainda no ano de 2005, quando os policiais chegaram com viaturas e camburões para impedir o protesto.

Dorvalino foi alvejado por dois tiros - disparado por segurança privado de fazendas da região -, quase 20 anos atrás dessa morte mais recente de Nery Kaiowá, que se juntam a dois outros nomes mortos nessa mesma terra indígena desde a década de 80, sendo: 

  • 1983 | Marçal de Souza: morto em casa com 5 tiros, na Aldeia Campestre 
  • 2015 | Simião Vilhalva: morto com tiro na cabeça durante conflito por terras

100 homens

Importante ressaltar que, essa decisão de "escolta" já vinha sendo cumprida e, após a morte de Nery Ramos Guarani Kaiowá, o próprio secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública apontou um reforço armado para a região. 

Na ocasião, em que o Governador Eduardo Riedel convocou um "sala de situação" para tratar o que ocorre em Antônio João, o titular da Sejusp, Antônio Carlos Videira, culpou 'índios paraguaios a serviço do tráfico' pelo acirramento do confronto, destacando uma centena de policiais para apoio. 

Conforme a Sejusp, esses 100 homens tratam-se policiais de reforço/recobrimento, que atuam em apoio aqueles que já estão agindo em cumprimento da decisão judicial, que, em tese, busca segurança para a família residente na Família Barra. 

 

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