Cidades

HOMICÍDIO

Morre mulher trans que teve o corpo e casa incendiados

Ela teve queimaduras de 2º e 3º grau, por todo o dorso, face, pescoço e membros, permaneceu entubada em estado gravíssimo, mas não resistiu aos ferimentos e morreu

Pâmela Mirela, de 31 anos, mulher transexual que teve 90% do corpo queimado em incêndio criminoso no domingo (19), morreu na madrugada desta terça-feira (21), no Hospital Santa Casa de Campo Grande, localizado na rua Eduardo Santos Pereira, número 88, Centro, na Capital.

A vítima deu entrada na Santa Casa na manhã de domingo (19), com queimaduras de 2º e 3º grau, por todo o dorso, face, pescoço e membros.

Ela ficou internada, sedada e entubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), na ala vermelha do hospital, em estado gravíssimo.

O quadro clínico evoluiu para piora nas últimas horas e ela não resistiu. O óbito foi constatado às 5h37min desta terça-feira (21) e confirmado pela assessoria de imprensa da Santa Casa.

As autoras do crime estão presas e responderão pelos crimes de homicídio qualificado por motivo fútil e com emprego de fogo, na forma tentada (artigo 121, § 2º, II e III, c/c artigo 14, II, todos do CP).

HISTÓRICO

Mulher transexual teve o corpo queimado e a casa incendiada, após briga em boate, na manhã deste domingo (19), na Vila Carvalho, em Campo Grande.

Conforme apurado pela reportagem, na noite de sábado (18), Pâmela estava em uma boate, frequentada por garotas de programa, quando se envolveu em uma briga com outras mulheres trans, identificadas como “Baby” e “Yara”.

A confusão se deu por conta de serviços de prostituição e programas sexuais que elas praticam.

Como vingança, “Baby” e “Yara” foram até a Vila Carvalho, onde Pâmela mora, para “acertar as contas”, na manhã de domingo (19).

Em posse de galão de gasolina e isqueiro, despejaram o líquido por debaixo das portas e pelas frestas do muro, atearam fogo no local, saíram correndo e foram embora.

O fogo se alastrou rapidamente pela residência e Pâmela, que estava dentro de casa, sofreu queimaduras profundas e gravíssimas, tendo 90% do corpo queimado.

O vizinho, que estava na frente da casa, viu a autora ateando fogo contra a casa da transexual, pegou o extintor de incêndio de sua casa e de seu carro para socorrer a vítima e acionou o Corpo de Bombeiros.

Neste momento, as autoras do crime viram que a vítima estava sendo socorrida e tentou esfaqueá-la, mas o vizinho não permitiu e saíram correndo.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) socorreram e encaminharam a mulher trans, com diversas queimaduras pelo corpo inteiro, para o Hospital Santa Casa em estado gravíssimo.

Polícia Militar (PMMS) e Polícia Científica (Perícia) também estiveram no local dos fatos para acompanhar a dinâmica e investigação do incêndio criminoso.

A PM fez rondas pela região mas não conseguiu encontrar as autoras do crime na noite de sábado (18), que se evadiram do local.

Mas, na madrugada desta segunda-feira (20), a Polícia Civil localizou e prendeu as duas criminosas que atearam fogo na casa e no corpo da vítima. Elas estavam em uma pensão para transexuais no bairro Amambaí.

Foram autuadas pelo crime de Homicídio qualificado por motivo fútil e com emprego de fogo, na forma tentada (artigo 121, § 2º, II e III, c/c artigo 14, II, todos do CP) e estão na Unidade Policial aguardando a audiência de Custódia.

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