Cidades

CPI

Servidor denuncia manipulação de dados para favorecer Consórcio na AGEREG

A denúncia anônima foi apresentada na oitiva da CPI do Transporte Coletivo nesta segunda-feira (12)

Karina Varjão

12/05/2025 - 14h01

No início da oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Campo Grande desta segunda-feira (12), que investiga irregularidades no serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus no transporte público na capital, o vereador Dr. Livio (União) apresentou uma denúncia anônima vinda de um servidor de dentro da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos).

Segundo a denúncia, as pesquisas feitas na Agência são falsas e manipuladas, para que sempre seja visto um resultado positivo sobre o funcionamento do transporte público. 

“As recentes pesquisas divulgadas pela Autoria da Arquiteta, que tratam da qualidade e satisfação do transporte coletivo na cidade de Campo Grande, contém dados falsificados. Os números apresentados nos relatórios foram deliberadamente inflados, com o objetivo de criar uma imagem positiva do serviço prestado, que está muito aquém da realidade vivenciada diariamente pela população” , diz o e-mail da denúncia e complementa dizendo que “os resultados foram manipulados para apresentar um número significativamente maior de respostas positivas, quando, na verdade, os dados brutos indicaram altos índices de insatisfação e críticas recorrentes”. 

Em 2024, foi divulgada no Diário Oficial a publicação do Remid (Relatório dos Índices de Monitoramento) por exigência do TCE-MS a fim de regulamentar o plano de auditoria técnico-operacional da Agetran. 

O documento avaliou como ‘ótimo’ ou ‘excelente’ critérios como conforto e qualidade da frota utilizada pela população da capital. Em agosto, foram classificados como ‘excelentes’ critérios como pontualidade, qualidade e manutenção da frota. 

O documento traz informações do mês de agosto, setembro e outubro de 2024 juntamente com uma tabela de referência onde nenhum índice foi considerado regular ou insuficiente, o que contradiz com as reclamações dos usuários do transporte público que, frequentemente, se queixam de superlotação, falta de acessibilidade, atrasos e estrutura precária. 

A denúncia continua dizendo que a adulteração dos dados configura uma violação grave dos princípios da administração pública como a moralidade, a legalidade e a transparência. 

“Ressalto que esta prática, além de desrespeitar os usuários do transporte público, compromete o planejamento de políticas públicas, prejudica a fiscalização correta dos contratos com as empresas concessionárias e mascara a real necessidade de melhorias urgentes do sistema”, finaliza. 

Após a leitura do documento, o vereador Dr. Lívio ressaltou que a “manipulação de dados apenas agrava as desconfianças da população e fere os princípios democráticos de prestação de contas que devem nortear qualquer órgão público”. 

Denúncias

Até o momento, foram apresentadas 485 denúncias, sendo 415 mensagens recebidas via WhatsApp, 32 formulários preenchidos, 35 e-mails enviados, duas ligações telefônicas e uma denúncia realizada de forma presencial. 

Os dados mostram o engajamento da população campo-grandense com os trabalhos da CPI, juntamente com a insatisfação dos mesmos e preocupação com a qualidade do transporte coletivo, utilizado por grande parte dos cidadãos da cidade. 
 

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