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ASSÉDIO?

Com 132 lojas no centro, óticas disputam cliente no 'grito'

Abordagens insistentes, exames gratuitos e promoções agressivas marcam o dia a dia de quem passa pela região central de Campo Grande

Quem circula pelo coração de Campo Grande com certeza já viu ou já foi alvo das infinitas abordagens feitas pelos vendedores de óticas que oferecem exames de vista gratuitos e promoções de óculos com frases como “é rapidinho” ou “o doutor já está esperando em”. A prática tem se tornado cada vez mais comum, especialmente na rua 14 de Julho, onde a concentração de estabelecimentos chama atenção.

Dados da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) identificaram 272 óticas em funcionamento na Capital, sendo 132 localizadas na região central da cidade. A equipe do Correio do Estado foi às ruas e observou que em apenas duas quadras - da Rua 14 de Julho à Afonso Pena - há mais de 15 óticas em operação. 

Em todas as unidades visitadas pela reportagem, os exames oftalmológicos são realizados por optometristas - profissionais habilitados para identificar falhas na visão, mas que não possuem formação médica. Apesar disso, a maioria dos funcionários abordam o cidadão dizendo que é uma consulta com especialista, o que pode confundir o consumidor. 

Nas cinco abordagens feitas à equipe, o exame de vista foi oferecido gratuitamente, uma forma de atrair clientes. Os preços também são variados, algumas óticas anunciam lentes a partir de R$ 200, enquanto outras, pelo “desespero de venda” incluem até a armação como brinde na compra do pacote completo. 

E não para por aí, a famosa frase “vou dar mais uma volta e qualquer coisa volto aqui” também não basta para os vendedores, que em última tentativa falam que cobrem o preço de qualquer outro local. Ainda foi possível ouvir propaganda desses locais nos mais diversos lugares, como carros de som, caixas de som na calçada e muitos vendedores gritando pela rua, a fim de conseguir uma venda.

Embora a facilidade no acesso e os preços competitivos sejam vantajosos para parte da população, entidades médicas alertam para os riscos na prática. De acordo com a matéria divulgada pelo Governo de Mato Grosso do Sul, o crescimento de ações sem supervisão médica tem levantado preocupações. Exames realizados apenas por optometristas não são capazes de identificar doenças como catarata, glaucoma ou alterações na retina. 

Matheus Pirolo, gerente de Apoio ao Sistema Estadual de Vigilância Sanitária da SES, ressalta que o ideal é que toda pessoa faça uma consulta com um profissional habilitado, em local que tenha alvará sanitário à vista do consumidor, para avaliar a acuidade visual antes de optar pelo uso de óculos.

O gerente orienta também que se desconfie de promessas de preços atrativos e de gratuidades nos exames de vista conjugados com indicações de óticas ou comercialização de lentes e armações, garantindo assim um atendimento seguro.

“Quando esses cuidados não são tomados pelo consumidor, além do risco sanitário, as pessoas acabam submetidas a atendimentos inadequados, o que pode agravar problemas já existentes ou criar novos, prejudicando a saúde ocular e geral da população”, destaca Matheus.

O oftalmologista Heron Leal Farias também alertou sobre o uso de óculos sem prescrição médica.

“Pode parecer uma solução rápida para quem começa a ter dificuldade para enxergar, mas essa escolha pode trazer riscos importantes à saúde ocular e à segurança no dia a dia. Sem passar por uma consulta oftalmológica, é comum que o grau das lentes esteja inadequado, o que pode provocar sintomas como dor de cabeça, tontura, visão embaçada e cansaço visual. Esses desconfortos não apenas comprometem a qualidade de vida, mas também aumentam o risco de acidentes, especialmente ao dirigir ou operar máquinas, atividades nas quais a visão deve estar precisa e confiável”, detalha.

Portanto, usar óculos sem prescrição adequada não é apenas ineficaz — é uma decisão que pode comprometer tanto a saúde ocular quanto a prevenção geral de outras doenças

Denuncie

Ainda conforme o Governo de MS, denúncias de mutirões de exame de vista gratuitos conjugados com a comercialização de lentes de grau e armações podem ser formalizadas de forma anônima para a SES pelo 0800 647 0031 (ouvidoria do SUS) ou pelo email: [email protected].

 

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