Cidades

Saúde

Fila da urologia passa de 1,5 mil após corte de atendimentos em Campo Grande

MP investiga inadimplência da Santa Casa com clínica de urologia e possível retenção de emendas parlamentares

Eduardo Miranda

25/06/2025 - 18h04

A suspensão dos atendimentos ambulatoriais e cirúrgicos para pacientes com doenças urológicas na Santa Casa de Campo Grande e, consequentemente, em quase toda a Capital, está em vigor desde o início do ano. O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio de inquérito civil aberto neste mês.

Desde então, a prefeitura informou ao MPMS que ao menos 1.572 pacientes passaram a aguardar na fila por procedimentos urológicos, enquanto repasses firmados em convênios — como a transferência de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares federais e estaduais, especificamente para a prestação desse serviço — podem ter ficado pelo caminho.

Em Campo Grande, o agendamento de novas consultas urológicas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estava suspenso até o dia 21 de maio, não havendo, segundo o município informou ao MPMS no procedimento preparatório que antecedeu o inquérito, registro oficial da retomada.

É isso que a promotora de Justiça Daniella Costa da Silva vai investigar no inquérito civil. A investigação teve início após comunicação oficial feita em fevereiro de 2025 pela Uroclinic, empresa contratada para prestar o serviço no hospital, de que os atendimentos urológicos na Santa Casa foram interrompidos por causa da inadimplência da instituição.

À 32ª Promotoria de Justiça da Saúde, a Santa Casa alegou dificuldades financeiras e afirmou estar aguardando a liberação de repasses referentes a dois convênios. Um deles, no valor de R$ 15 milhões, firmado com a Secretaria Estadual de Saúde, teve duas parcelas pagas e uma ainda pendente. Outro, de R$ 5,3 milhões com recursos federais, ainda não havia sido quitado. A instituição também mencionou estar buscando recursos junto a instituições financeiras.

A Uroclinic também anexou ao processo o convênio assinado entre a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, o secretário de Saúde de MS, Maurício Simões, e a diretora da Santa Casa, Alir Terra. Nele, estava previsto o repasse de R$ 3,5 milhões em emendas — R$ 100 mil em emendas estaduais e o restante, federais.

A Secretaria de Estado da Saúde, por sua vez, informou ter feito um aporte emergencial de R$ 25 milhões, pago em três parcelas.

Já a Secretaria Municipal de Saúde confirmou o encerramento temporário das agendas da Uroclinic e relatou que os atendimentos ambulatoriais e eletivos em Urologia só foram retomados no fim de maio. Mesmo assim, a fila de espera ainda supera 1,5 mil pessoas, segundo dados do sistema de regulação municipal.

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) informou que não adotou providências, por entender que a situação diz respeito a uma relação contratual entre o hospital e a empresa prestadora.

A abertura do inquérito civil pelo Ministério Público tem como objetivo aprofundar a apuração sobre os impactos da suspensão dos serviços e a destinação dos recursos públicos destinados à área. A Promotoria também pretende acompanhar as medidas adotadas para normalizar os atendimentos.

A investigação segue em andamento e deverá incluir novos esclarecimentos por parte das autoridades envolvidas, além do monitoramento da fila de espera e dos pagamentos pendentes.

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