Cidades

Segurança no Trabalho

Servidores de MS trabalham com colete a prova de balas vencido

O Ministério Público do Trabalho entrou na Justiça contra a Funai por expor funcionários públicos a situações de risco, com equipamentos de proteção balística vencidos desde 2021

Laura Brasil

08/07/2025 - 15h30

O Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS) ingressou com uma ação civil pública contra a Fundação dos Povos Indígenas (Funai), após um levantamento apontar que os coletes estão com o prazo de validade vencido, colocando em risco a vida dos servidores.

As investigações sobre as condições de trabalho tiveram início em 2023, quando um inquérito foi instaurado pela unidade do MPT em Dourados. Na ocasião, constatou-se que a última compra de coletes à prova de balas pela Funai ocorreu em 2015, com a validade expirando em abril de 2021.

O MPT-MS explicou que os funcionários públicos exercem suas funções em terras indígenas com situação crítica, devido à presença de garimpeiros, madeireiros e grileiros, que colocam a segurança em risco.

Diante da gravidade da situação, o órgão acionou a Divisão de Perícias e solicitou um laudo técnico, que confirmou a essencialidade dos coletes para a proteção dos servidores em áreas de conflito.

O laudo também reforçou a importância de a Funai fornecer equipamentos adequados aos seus servidores, especialmente quando expostos a contextos de risco.

Falta de resposta


Com base na documentação reunida durante as investigações, o MPT-MS tentou resolver o problema de maneira amigável, propondo a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com prazo de 20 dias para a manifestação da Funai.

Mesmo com prorrogação de prazo, a autarquia não apresentou resposta plausível sobre o cumprimento das obrigações previstas no acordo, o que levou à judicialização do caso.

Segurança


O procurador do Trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes, responsável pela ação, citou uma matéria jornalística que relatava o caso de um servidor da Funai alvejado por disparos de arma de fogo durante a retirada de invasores de uma terra indígena no estado do Pará.

A situação evidencia a exposição a riscos enfrentada pelos servidores e a indispensabilidade dos equipamentos de proteção.

Na petição, o MPT-MS requer que a Funai forneça aos servidores:

  • Coletes adequados, em bom estado de conservação, gratuitamente;
  • Treinamento sobre o uso correto dos coletes;
  • Equipamentos ergonômicos e compatíveis com o corpo dos servidores, conforme determina a legislação trabalhista;
  • Informações sobre cuidados, guarda e conservação dos coletes.

Se a Funai não cumprir essas exigências, o MPT pede a aplicação de multa diária com correção monetária. Os valores arrecadados deverão ser destinados a instituições públicas ou privadas, definidas na fase de execução, ou ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), conforme prevê a legislação.

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