Cidades

especial 126 anos

Planejamento e mobilidade inteligente para acompanhar o crescimento urbano

Engenheiro Fernando Madeira avalia que Campo Grande alia desenvolvimento a bom índice de qualidade de vida

Karina Varjão

26/08/2025 - 15h00

Um dos grandes desafios das capitais brasileiras é o trânsito. Em Campo Grande, no entanto, há uma aposta no uso da tecnologia para garantir que a mobilidade acompanhe o crescimento da cidade. Estudos de impacto viário, uso de drones e a possibilidade de instalação de semáforos inteligentes já fazem parte da rotina de planejamento.

É o que afirma o engenheiro Fernando Madeira, proprietário da Madeira & Madeira e membro do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Campo Grande. Ele ressalta que a tecnologia só funciona quando é acompanhada de uma infraestrutura adequada.

“Para você falar de cidade inteligente, precisa começar de coisas básicas, como o planejamento. Hoje, a inteligência artificial pode controlar todos os semáforos, por exemplo. Eu filmo com o drone e verifico como é que está o tráfego. Muitas vezes é uma questão de 5 ou 10 minutos de diferença. Se você tivesse um centro de controle inteligente, abriria o semáforo de forma dinâmica”, explicou Madeira. 

O exemplo da Avenida Três Barras ilustra essa visão. “Quando ela foi asfaltada, fizeram apenas uma pista para ir, outra para voltar e dois estacionamentos. Eu tenho que planejar para que daqui a cinco anos consiga dobrar a capacidade da via. Só assim a tecnologia vai realmente funcionar”.

Esse olhar no longo prazo mostra como a cidade busca se preparar para o crescimento sem repetir erros de outras capitais.

VERTICALIZAÇÃO

Embora muitas vezes se diga que Campo Grande é uma cidade verticalizada, os números mostram o contrário: apenas 3% da área urbana é ocupada por prédios. Isso significa que a Capital tem enorme potencial de adensamento sem perder qualidade de vida.

“Campo Grande é uma cidade de projetos. A arquitetura aqui é nova e bonita. Tem lugares em que a arquitetura é nova, mas não é bonita. Aqui a gente consegue conciliar estética e funcionalidade”, avaliou Madeira, ao comentar sobre os empreendimentos recentes que mudaram a paisagem da cidade.

Ele também defende a importância de bairros mistos, que unem comércio e moradia, como o Jardim dos Estados. “Se não houvesse essa recuperação do residencial, o bairro poderia morrer. À noite, ficaria vazio. Então, a ocupação mista é fundamental para manter a vitalidade urbana”.

Esse conceito se aproxima da ideia de “cidade de 15 minutos”, em que tudo o que o morador precisa, como escola, saúde, comércio e lazer, esteja a poucos minutos de casa.

ECONOMIA E LOGÍSTICA

Campo Grande também desponta como polo logístico, em função de sua localização estratégica. A chegada da Rota Bioceânica, que ligará o Brasil ao Chile, via Paraguai e Argentina, deve fortalecer ainda mais essa vocação.

“Ela [a Rota Bioceânica] está consolidada, é dinheiro carimbado que veio de Itaipu. Então, termina agora, no ano que vem já deve estar no finalzinho. Vai melhorar a questão de logística, sim, e isso vai trazer, não só para Campo Grande, mas para todo o Estado, novas oportunidades”, destacou.

Segundo ele, a obra será acompanhada por investimentos paralelos, como ferrovias, hidrovias e ampliação do aeroporto da Capital, que passará de uma capacidade de 1,5 milhão de passageiros para 2,6 milhões de passageiros por ano. 

Esse movimento abre espaço para novos centros de distribuição e armazenamento, atividades que geram empregos e movimentam a economia local.

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