Revoltado com o que classificou como descaso da Prefeitura de Campo Grande, Ezio Ferreira Martins refez com as próprias mãos a sinalização entre o Terminal Julio de Castilho e a Rua Sagarana, no Jardim Panamá, trecho de inúmeras conversões proibidas.
Há dez anos na região, o trabalhador de 45 anos pintou uma nova faixa horizontal no cruzamento entre as ruas na manhã desta quarta-feira (3), gravou o ocorrido e enviou o vídeo à prefeitura, que horas depois, apagou a sinalização e recolocou uma nova placa no cruzamento, trabalho da Agência Municipal de Trânsito (Agetran). A rua foi encontrada com um “borrão de tinta” nesta quinta-feira.
Recorrentes, as infrações de trânsito ocorrem em virtude da precária sinalização da área situada quase em anexo ao terminal de ônibus: quem está na Rua Sagarana, necessariamente precisa fazer a conversão à esquerda para a Rua Gilbues, já que seguir sentido a Avenida Júlio de Castilho é proibido, ação ignorada pelos motoristas, que avançam o sinal e fazem a conversão direta na avenida.
“Isso aqui está um descaso total, eu estou na região há dez anos e decidi fazer isso como forma de protesto, também para evitar acidentes”, disse Ezio ao Correio do Estado.
De acordo com o campo-grandense que gastou cerca de R$ 450 para fazer o reparo, a administração municipal correu para a região pouco após a denúncia, refez a pintura e se comprometeu a reordenar a via com a colocação de um semáforo.
“Acredito que um novo semáforo não vai adiantar de nada, além de frear o fluxo dos ônibus que passam ali a cada cinco minutos”, destacou Ezio.
Em março deste ano, o trabalhador já havia formalizado um pedido à administração municipal para que o trecho recebesse nova sinalização.
Além disso, solicitou uma regularização de seu ponto de trabalho, situado exatamente no cruzamento entre a área mal sinalizada e a avenida. Após o ocorrido, o freteiro disse que corre o risco de perder o local de trabalho em virtude das mudanças propostas pela prefeitura.