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Empresa de delivery terá que indenizar cliente que acabou com a polícia na porta

Plataforma de serviço de entrega terá de compensar financeiramente consumidor surpreendido pela polícia e pelo dono de um restaurante de sushi na porta de casa, devido à falha de comunicação

Laura Brasil

19/09/2025 - 16h13

Após cancelar o pedido feito por uma plataforma de delivery e, horas depois, receber a polícia na porta acompanhada do dono do restaurante, cobrando pela entrega, um homem vai receber R$ 10 mil de indenização por constrangimento público.

O caso começou em 10 de março de 2023, quando o cliente, por meio de um serviço de entrega de alimentos, fez o pedido de um combo de sushi em um restaurante em Campo Grande.

A entrega ocorreu normalmente; no entanto, ao abrir o pedido, ele percebeu a falta de dez peças de um item, sendo que outras haviam sido entregues em seu lugar, que ele não havia solicitado.

Percebendo o erro, o consumidor fez uma reclamação na plataforma, que analisou o ocorrido, cancelou a compra, fez o estorno do valor pago e ainda concedeu um cupom de R$ 15 pelo transtorno.

Pouco depois, o cliente recebeu um telefonema do restaurante, em que uma pessoa, em tom agressivo, acusou-o de ter comido sem pagar pelo pedido.

Por volta das 23 horas, a polícia bateu na residência acompanhado do proprietário do estabelecimento, que queria receber o pagamento. Além disso, os policiais bateram também nos portões da casa de vizinhos.

Mesmo mostrando que havia entrado em contato com a plataforma de delivery, os agentes, em uma tentativa de conciliação, orientaram que fosse efetuado o pagamento de R$ 80 ao restaurante.

Indenização

O juiz Marcus Vinícius de Oliveira Elias, da 14ª Vara Cível de Campo Grande, entendeu que o cliente sofreu constrangimento. A plataforma tentou argumentar que não tinha responsabilidade sobre o preparo ou entrega dos alimentos.

Ainda se apresentaram apenas como intermediária, que liga o consumidor aos estabelecimentos, portanto, segundo eles, não teria responsabilidade, já que haviam feito o estorno do valor pago no mesmo dia.

Na sentença, o magistrado destacou que cabia à empresa demonstrar fortuito externo, força maior ou culpa exclusiva do consumidor para se eximir da responsabilidade, o que não ocorreu. Segundo ele, embora o estorno tenha sido feito, a plataforma deixou de comunicar adequadamente o restaurante sobre o cancelamento, o que acabou provocando o desentendimento que resultou na ida da polícia à casa do autor.

O magistrado ressaltou que a empresa faz parte da cadeia de fornecimento e lucra com a intermediação, e como não conseguiu avisar corretamente o restaurante sobre o cancelamento do pedido, isso deu início a todo o mal-entendido.

"Não se discute a ausência de ingerência sobre a qualidade da refeição, mas a problemática criada pela requerida, que decidiu efetuar o cancelamento da compra sem comunicar a solução ao fornecedor, gerando danos ao requerente", registrou.

Quanto ao ressarcimento material dos R$ 80 pagos diretamente ao restaurante, ele foi negado, pois seria considerado duplo ressarcimento, já que a plataforma devolveu o dinheiro anteriormente.

Entretanto, o magistrado reconheceu que houve danos morais, devido à polícia ter ido até a casa do cliente, fato que foi divulgado em um jornal de notícias online.

"Aliás, um problema que poderia ser resolvido de forma tão simples ganhou notoriedade, constrangendo ainda mais o requerente, nos termos da notícia do jornal eletrônico da cidade, que afirmou que o 'consumidor comeu e não pagou'", destacou o magistrado, comprovando o abalo psicológico do autor, que, inclusive, mudou de endereço após o ocorrido.

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