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MS é citado como referência nacional em Educação Básica

Criação da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Educação Básica foi apontada por especialistas e pesquisadores como um divisor de águas no Estado

A criação da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Educação Básica (Fadeb) colocou Mato Grosso do Sul como referência da Educação Básica no País, principalmente em relação à matemática, segundo apontou Katia Stocco Smole, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo (Ceesp).

“A Fadeb tem trabalhado para melhorar a educação matemática desde os primeiros anos de aprendizagem. É um projeto muito grande em colaboração com os municípios de Mato Grosso do Sul, e preocupação com a recomposição das aprendizagens dos alunos, além de parcerias para apoiar as escolas e professores na melhoria do ensino e aprendizagem da matemática”, disse Katia Smole. 

“Ainda não são resultados que trouxeram transformações grandes, mas, no médio prazo, o projeto vai virar o jogo do ensino e a aprendizagem de matemática no Estado, porque estimula os professores a fazerem com que todos aprendam matemática na idade certa”, completou a pesquisadora. 

A fala de Katia Smole foi acompanhada pela de Kátia Helena Serafina Cruz Schweickardt, secretária de Educação Básica, do Ministério da Educação (MEC), que destacou o papel fundamental de Mato Grosso do Sul no regime de colaboração entre União, Estado e municípios. 

Para ela, a discussão central do diálogo entre o governo federal e o estado de Mato Grosso do Sul foca na qualidade e no avanço da Educação Básica”.

“O secretário de Educação Hélio Daher, por ser um professor da rede, é muito sensível às necessidades que a gente tem para avançar e ter mais qualidade na Educação Básica, e ter uma aprendizagem mais significativa. Tem um foco muito para o Ensino Médio, por conta da pasta, mas tem sido um grande parceiro do MEC no fortalecimento do regime de colaboração no estado de Mato Grosso do Sul”, afirmou. 

“Tivemos a mudança de vários secretários municipais no último pleito, e há um trabalho hoje muito colaborativo entre nós da União e o governo do Estado para mobilizar especialmente esses novos secretários, para garantir o direito das crianças não só da alfabetização na idade certa, na idade adequada, mas também para a recomposição das aprendizagens e também para a gente fortalecer essa política sistêmica da Educação Básica, olhando desde a Educação Infantil até o Ensino Médio”, continuou. 

A avaliação foi feita durante o 9º Congresso Internacional de Educação, realizado pela Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), em agosto, em São Paulo. 

O evento voltado à educação matemática, reuniu especialistas, pesquisadores, gestores públicos e representantes do MEC, em torno de debates sobre a recomposição das aprendizagens no pós-pandemia e a construção de uma educação mais equitativa e de qualidade em todo o País.

MATO GROSSO DO SUL

Na avaliação de Hélio Daher, a criação da Fadeb representa um marco institucional no Estado e a consolidação de um modelo de política pública voltado à equidade e à aprendizagem. 

“A Fadeb foi criada como um braço da Secretaria de Educação para articular o desenvolvimento da Educação Básica em Mato Grosso do Sul, que tem 80 redes públicas de educação: uma estadual e 79 municipais. A principal dificuldade sempre foi criar políticas públicas que abrangessem e agregassem todas essas redes”, falou ao Correio do Estado.

“O Estado adotou medidas de regime de colaboração, focadas em ações pedagógicas conjuntas e a Fadeb é a materialização institucional desse regime de colaboração. Sua função é fazer a articulação entre as redes e atrair investimentos do terceiro setor para políticas públicas”, completou Daher. 

O secretário destacou, ainda, que programas como a tutoria para matemática, mencionada por Katia Smole, o fortalecimento da Educação Infantil e o planejamento estratégico das redes municipais fazem parte dessa nova fase da educação pública no Estado. 

“Essas ações são consideradas importantes para criar uma política pública engajada e unificada para todo o território de Mato Grosso do Sul. Atingiu-se um nível de maturidade institucional, uma fundação dedicada ao monitoramento, avaliação e implementação de políticas públicas”, disse.

SAEB

No mesmo evento, Ernesto Martins Faria, fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), chamou atenção para o papel das avaliações e dos estímulos pedagógicos calibrados, com especial atenção ao ensino da matemática. 

“O objetivo principal não é apenas alcançar a nota máxima no Sistema de Avaliação da Educação Básica [Saeb], mas sim garantir que os alunos aprendam o máximo possível para terem as melhores oportunidades na vida”, declarou. 

Martins lembrou que há preocupação com políticas como o Brasileirão Saeb, do estado de São Paulo, que, embora busque estimular, pode levar as escolas a focarem no “maior índice de acerto em cada simuladinho”. 

Abordagem, que segundo ele, gera uma “perdição ao erro” no processo de preparação dos alunos, em que se busca que eles não errem a cada semana. “Uma avaliação em que os alunos não estão errando não está sendo vigente de forma adequada”.

Faria alertou que a matemática precisa ser tratada com mais prioridade no Brasil. 

“Desde a década de 1990 e os anos 2000, por meio do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), a matemática nunca obteve desempenho superior ao das ciências e da língua portuguesa. Existe um problema estruturante na educação que exige atenção. É fundamental que todas as áreas (ciências, linguagens) se unam para atuarem conjuntamente e darem a devida importância a cada agenda, mas a matemática requer uma mobilização especial. É necessário exigir mais da matemática na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Fundamental para reverter esse quadro de longa data”, lembrou durante o evento.

A discussão se conecta diretamente à referência nacional de alfabetização divulgada em maio do ano passado pelo MEC e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que definiu 743 pontos na escala do Saeb, como a pontuação mínima para considerar uma criança alfabetizada no fim do 2º ano do Ensino Fundamental. 

A definição se baseia na pesquisa Alfabetiza Brasil, que envolveu professores, especialistas, formadores e representantes das 27 Unidades da Federação. Crianças que atingem esse patamar são capazes de realizar leitura e interpretação de textos simples, bem como escrever textos do cotidiano, como convites e lembretes, ainda com alguns desvios ortográficos.

Mato Grosso do Sul se mostrou alinhado a esse movimento, com programas estaduais de alfabetização realizados em regime de colaboração entre Estado e municípios, coordenados pela Secretaria de Estado de Educação e com apoio da Fadeb. 

Como resultado, o Estado foi o segundo que mais cresceu em alfabetização no Brasil. Em 2023, Mato Grosso do Sul registrou 47,4% de estudantes alfabetizados.

Em 2024, o porcentual saltou para 55,8% – três pontos acima da meta estabelecida para o mesmo ano (52,8%). O crescimento, de 17% ficou atrás somente de Minas Gerais, com 20% de aumento no mesmo período.

*SAIBA

A Fadeb conta com iniciativas como o programa Mentalidades Matemáticas e Matemática ProFuturo. Desenvolvidos em parceria com as secretarias municipais de educação, esses projetos já formaram mais de 500 professores e impactaram quase 8 mil alunos em 2024.

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