Cidades

BURACO SEM FIM

Na cadeia, "barão" do tapa-buraco mantém contratos milionários

Empresa investigada por esquema de corrupção é responsável pelo serviço em quatro das sete regiões urbanas de Campo Grande

Responsável pelo tapa-buraco em quatro das sete regiões de Campo Grande, o empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Construtora Rial Ltda., continuará preso, envolvido em investigação de corrupção no serviço. Mesmo assim, o contrato com a empresa será mantido, pelo menos neste momento.

Segundo a investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a apuração identificou a existência de uma organização criminosa que atuaria na fraude da execução do serviço de manutenção de vias públicas de Campo Grande.

Conforme a investigação, o grupo manipulava medições e a fazia a realização de pagamentos de obras que não havia sido necessariamente feitas.

O esquema era operado, segundo o MPMS, dentro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e teria começado em 2017. A investigação ainda afirma que os contratos alvo vão até 2025.

Para conseguir mais informações, foi deflagrada na terça-feira a Operação Buraco Sem Fim, que prendeu sete pessoas envolvidas no esquema, entre elas o ex-secretário de Obras da Capital Rudi Fiorese, além de servidores e ex-servidores da Pasta e o empresário.

Ontem pela manhã os sete participaram da audiência de custódia, que definiu que eles deve seguir presos. 
São investigados: Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa (dono da Construtora Rial); Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa (pai do empresário); Erick Antônio Valadão Ferreira de Paula (ex-servidor da Sisesp); Edivaldo Aquino Pereira (responsável pela medição do tapa-buraco); Fernando de Souza Oliveira (ex-servidor); Mehdi Talayeh (engenheiro e servidor) e  Rudi Fiorese (ex-secretário).

Após a operação ser deflagrada, a Prefeitura de Campo Grande publicou a exoneração dos dois servidores que ainda estavam ativos no quadro da secretaria.

O governo do Estado também exonerou Fiorese, que ocupava o cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul).

Com a manutenção da prisão, os sete suspeitos de envolvimento no esquema foram conduzidos até o Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande.

“BARÃO”

Campo Grande é dividida em sete regiões urbanas e essa divisão é usada pela prefeitura para estabelecer os lotes de licitações como o tapa-buraco, que precisa ser feito em toda a cidade.

Das sete regiões, a Construtora Rial é responsável por quatro, inclusive a maior delas, que é o Anhanduizinho. Ela também tem contrato para o serviço no Imbirussu, Segredo e Bandeira.

Matéria publicada ontem pelo Correio do Estado mostrou que o valor original desses contratos, somados aos seus aditivos, totaliza R$ 114.608.571,16 que serão pagos à empresa.

O contrato mais recente abrange a região Bandeira e foi assinado em janeiro deste ano pelo valor de R$ 6.979.892,07 e recebeu um aditivo de R$ 2.057.672,18 apenas 40 dias depois de ter sido celebrado.

Somado aos outros contratos que a empresa também tem com o município, tanto para recapeamento como para manutenção de vias não pavimentadas, a Rial chega a marca de R$ 141.993.707,68 a receber.

Ao Correio do Estado a prefeitura afirmou que solicitou à Justiça a investigação para, segundo ela, saber do que se trata a operação e poder tomar a melhor providência. No entanto, enquanto isso não acontece, a empresa deverá continuar sendo responsável pela maior parte da cidade no assunto tapa-buraco.

“Em relação à solicitação sobre contratos firmados entre a administração municipal e a empresa Rial, a Prefeitura Municipal de Campo Grande esclarece que, por meio da Procuradoria-Geral do Município, está solicitando acesso ao conteúdo do processo, que corre em segredo de justiça, para o conhecimento detalhado das denúncias apresentadas e embasamento de eventuais providências cabíveis a serem tomadas, tendo como principal objetivo não prejudicar o andamento de serviços prestados à população”, diz nota. (Colaborou Leo Ribeiro)

* Saiba

O contrato de tapa-buracos, pelo menos duas vezes já foi alvo de investigações por supostas irregularidades.

O primeiro caso foi em 2015, com os “buracos fantasmas” tapados. Após isso, veio a investigação da Lama Asfáltica.

Assine o Correio do Estado

JUSTIFICATIVA

Qualidade do tapa-buraco é principal motivo para abertura de CPI

Investigação do Legislativo Municipal foi aberta oficialmente nesta sexta-feira (06) e tem previsão de duração de 120 dias

07/11/2026 12h30

Buracos são vistos aos montes nas sete regiões de Campo Grande

Buracos são vistos aos montes nas sete regiões de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

AFOGAMENTO

Bombeiros localizam corpo de adolescente de 15 anos no Rio Paraguai

Erick José da Silva Moraes de Arruda havia desaparecido na tarde de sexta-feira (6)

07/11/2026 12h00

Bombeiros realizaram buscas na sexta-feira e na manhã deste sábado

Bombeiros realizaram buscas na sexta-feira e na manhã deste sábado Reprodução / Diário Corumbaense

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).