Cidades

TRIBUNAL DO JÚRI

Até defesa quer condenação de homem que matou esposa e filha bebê

Advogado de João Augusto Borges afirmou antes do julgamento que não fará "a defesa do impossível" e que objetivo é adequar pena à culpabilidade do réu pelo duplo feminicídio de Vanessa Medeiros e da filha Sophie, de 10 meses

O julgamento de João Augusto Borges, acusado de matar a esposa Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha Sophie Eugênia, de apenas 10 meses, começou na manhã desta quarta-feira (27), no Fórum de Campo Grande. Antes de entrar no plenário do Tribunal do Júri, a defesa admitiu que o réu deve ser condenado e afirmou que irá atuar para retirar o que considera "excessos acusatórios" do processo.

Responsável pela defesa, o advogado Renato Franco declarou que a estratégia adotada não será de negar os crimes, mas buscar uma pena "correspondente ao fato praticado".

“Nós não fazemos a defesa do impossível. A conduta dele resultou na morte de duas pessoas, a Vanessa e uma criança de 10 meses de idade”, afirmou o advogado.  

Segundo Renato Franco, a defesa entende que parte da denúncia e da decisão de pronúncia teria extrapolado os limites necessários para o julgamento.

“A nossa análise como advogados criminalistas é que algumas linhas acusatórias contidas tanto na denúncia quanto na pronúncia possuem alguns excessos acusatórios e somente a retirada desses excessos vai ser a força defensiva”, disse.  

O advogado também afirmou que a defesa acredita que João deve responder criminalmente pelas mortes.

“Hoje nós vamos fazer o possível para que ele seja condenado na medida da culpabilidade dele. Ele deve sim responder pelo que praticou”, declarou.  

Ressaltou ainda que o réu confessou o crime desde o início das investigações e que deve manter a mesma postura durante o interrogatório perante o conselho de sentença.

“Ele sempre disse como foi, inclusive revelou qual foi o motivo e como praticou a conduta”, afirmou.  

A defesa também comentou sobre o pedido para que fosse avaliada eventual inimputabilidade de João Augusto Borges, hipótese negada pela Justiça durante a tramitação do processo. Segundo o advogado, a análise era necessária diante da brutalidade do caso.

“A gente acredita que deveria existir essa averiguação para saber se ele tinha condições racionais, lógicas, o que se espera de um homem comum, mas como não foi indeferido a época, hoje também falar de subinimputabilidade não é o caso”, disse.  

Crime chocou Campo Grande

O caso aconteceu na tarde de 26 de maio de 2025, na região do Indubrasil, em Campo Grande. Conforme a investigação, João chamou Vanessa para o quarto sob o pretexto de conversar e a matou com um golpe de “mata-leão”. Em seguida, estrangulou a filha do casal, que estava sobre a cama.

Após os assassinatos, ele saiu para trabalhar normalmente. Horas depois, comprou gasolina, colocou os corpos em um carro da família e ateou fogo em uma área da Rua Desembargador Ernesto Borges.

Durante audiência realizada em agosto do ano passado, João afirmou que cometeu os crimes após um “acesso de raiva” depois de levar um tapa da companheira. Na ocasião, também admitiu já ter pensado anteriormente em matar Vanessa e a filha.

O réu foi preso em 27 de maio de 2025 e responde por duplo feminicídio e ocultação de cadáver.

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