Cidades

Teko Porã II

PF cumpre mandado em operação que busca identificar envolvidos em morte de indígena em MS

Guarano Kaiowá foi morto com tiro na durante conflito armado em novembro do ano passado, em aldeia de Iguatemi; uma pessoa foi presa na operação desta terça

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (16), a Operação Teko Porã II, com objetivo de identificar e responsabilizar todos os envolvidos no homicídio de Vicente Fernandes Vilhalva, liderança indígena Guarani Kaiowá, de 36 anos, ocorrido em novembro de 2025, durante conflito armado nas proximidades da aldeia Pyelito Kue, em Iguatemi. O funcionário de uma fazenda Lucas Fernando da Silva, de 23 anos, também morreu na ocasião.

A operação é em continuidade ao trabalho iniciado com a Operação Teko Porã, deflagrada em novembro de 2025, que teve como objetivo esclarecer a dinâmica dos fatos e identificar todos os possíveis responsáveis pelo crime.

Nesta segunda fase, o objetivo é aprofundar as investigações, com foco na coleta de elementos probatórios adicionais e na responsabilização dos envolvidos.

No cumprimento de ordem judicial expedida pela Justiça Federal, foi cumprido um mandado de busca e apreensão em endereço vinculado aos investigados.

Segundo a PF, durante as diligências, uma pessoa foi presa em flagrante pelo crime de fraude processual, por tentar destruir provas relacionadas ao caso. Ele quebrou um celular e jogou na caixa acoplada de descarga do vaso sanitário. O nome do detido não foi divulgado.

Investigado tentou destruir celular e foi preso em flagranteInvestigado tentou destruir celular e foi preso em flagrante (Foto: Divulgação / Polícia Federal)

Relembre o caso

A morte do indígena Vicente Fernandes Vilhalva, de 36 anos, e do funcionário de uma fazenda Lucas Fernando da Silva, de 23 anos, ocorreu no dia 16 de novembro de 2025, durante a retomada da área da Fazenda Cachoeira, na Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá I, no município de Iguatemi.

A investigação dos crimes está a cargo da Polícia Federal (PF) desde então, mas, na época, se tornou uma briga de narrativas entre órgãos do governo do Estado e o governo federal.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) divulgou nota afirmando que a morte teria sido causada por outro indígena guarani-kaiowá, qye chegou a ser detido pela Polícia Militar.

No entanto, a Polícia Federal afirmou que investigações apontaram dois suspeitos e que um deles teria sido identificado por um dos indígenas que foi ferido na ação, o que indicaria que essa pessoa não era da comunidade.

Ainda segundo a Polícia Federal, durante o trabalho de perícia feito na área, foram coletados “cápsulas, material biológico e depoimentos de indígenas. Duas espingardas calibre 12, utilizadas por segurança privada da fazenda, foram apreendidas para perícia”.

Além dos dois mortos, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) afirmou que outros quatro indígenas teriam ficado feridos na ação..

Já a Sejusp confirmou apenas dois feridos, Eliéber Riquelme Ramires, que, após ser atendido em Iguatemi, foi transferido para Dourados “em razão da gravidade”, e um adolescente de 14 anos, “ferido por tiro no braço, deu entrada no Hospital de Iguatemi, porém, fugiu da unidade antes da conclusão do atendimento médico”. Ambos os feridos são indígenas.

A Sejusp afirmou ainda que a morte do funcionário da fazenda não foi causada por disparo de arma de fogo nem por arma branca e limitou-se a dizer que ele morreu “por ruptura hepática e choque hemorrágico”. 

A briga pela terra que terminou na morte dessas duas pessoas é antiga e já dura décadas. A demarcação da área estava parada desde 2013, mas teve andamento no início de novembro de 2025, após o MPI e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) concluírem os estudos de identificação e delimitação da área.

O processo foi remetido para o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e aguarda a publicação para finalização o processo.

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