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Santa Casa terá de reinserir na regulação pacientes ortopédicos

Decisão ocorreu durante audiência de conciliação realizada ontem e prevê que pessoas não atendidas retornem para a fila regulatória após 48 horas de espera

A Santa Casa de Campo Grande terá de reinserir na regulação pacientes ortopédicos que não tiverem a intervenção cirúrgica realizada em até dois dias.

A decisão veio depois de visita da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul ao hospital, que encontrou pessoas aguardando há meses a retirada de materiais de síntese, como hastes, pinos e fixadores externos implantados durante o tratamento.

Nesta semana, a Defensoria Pública ingressou com três ações civis públicas contra a Santa Casa. Duas delas tratavam das filas invisíveis, que são os casos de pacientes que aguardam por tempo indeterminado para passarem pelo procedimento cirúrgico, e outra tratava da demora da instituição para remover implantes ortopédicos pós-cirúrgicos.

Pessoas que precisarem de atendimento ortopédico deverão ser socorridas em até 48 horas no hospital Pessoas que precisarem de atendimento ortopédico deverão ser socorridas em até 48 horas no hospital - Foto: Gerson Oliveira 

Em nota divulgada logo após as ações serem oficializadas, a Defensoria afirmou que “pacientes aguardam há meses e, em alguns casos, há mais de dois anos pela conclusão do tratamento. A lista inclui crianças de 4, 8 e 9 anos, adultos e uma idosa de 87 anos. Há casos de pessoas que esperam desde abril de 2024 pela retirada dos dispositivos”.

Para que as situações fossem resolvidas, o Poder Judiciário marcou uma audiência de conciliação com todas as partes envolvidas, que ocorreu na tarde de ontem, no Fórum de Campo Grande, e teve a presença de representantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e do titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Marcelo Vilela.

Ao término da audiência, a defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), disse que ficou decidido que pacientes de baixa e média complexidade ortopédica serão reinseridos na regulação depois de 48 horas sem realizar a cirurgia.

“Sim, [ficamos satisfeitos] porque foi estabelecido um prazo para que eles agilizem essas filas, para que eles organizem e prestem informações. Eles têm que dar informação de toda a demanda reprimida que têm. Para que não se crie essa fila, esses pacientes serão reinseridos na regulação, para que Estado e Município possam direcionar esses pacientes para outros locais que fazem o procedimento”, explicou.

Além disso, a Santa Casa terá de apresentar, dentro de 15 dias, a quantidade de pacientes que estão nessa situação.

Daqui a cerca de um mês, no dia 28 de julho, uma nova audiência será realizada para que seja analisado se a instituição hospitalar está cumprindo o que foi combinado no acordo de ontem.

JUSSARA

Uma história que poderia ser diferente se esta “nova política” já tivesse sido adotada pela Santa Casa é a de Jussara Marisa Aparecida Pereira Delmondes, de 49 anos, que morreu em outubro do ano passado por causa de uma infecção bacteriana, após o hospital não retirar uma haste intramedular de sua perna no tempo estipulado clinicamente, como mostrou matéria do Correio do Estado.

No fim de 2024, Jussara teve o fêmur quebrado após sua mãe tentar colocar a fralda nela. Ela foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada para a Santa Casa.

Após analisar a situação, o médico responsável pelo caso decidiu que a melhor opção era colocar a haste intramedular, implante ortopédico de titânio ou aço que atua como uma tala interna, que tem a função de estabilizar a fratura, manter o alinhamento e distribuir a carga. Essa cirurgia foi realizada em janeiro de 2025.

Porém, depois de diversas tentativas de retorno, sem sucesso, e 16 dias depois de a família conseguir judicializar o caso na Defensoria Pública, Jussara morreu no dia 23 de outubro, quase 10 meses depois da cirurgia.

Na certidão de óbito, a causa da morte aparece como “insuficiência respiratória aguda, choque séptico, foco cutâneo de joelho direito, haste intramedular extrema infectada (outras condições significativas que contribuíram para a morte), fratura de fêmur direito em 2024”.

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