Cidades

Violência

2 a cada 3 mulheres vítimas de violência doméstica já tinham sofrido agressões, aponta estudo

De acordo com o Atlas da Violência, apesar da tendência de redução dos casos de mortes de mulheres, o volume de casos ainda permanece alarmante

Estadão Conteúdo

07/07/2026 - 22h00

Dois terços das mulheres que buscaram atendimento médico no sistema de saúde após sofrerem agressões em ambiente doméstico relataram que o episódio não foi uma ocorrência isolada, mas a repetição de violências anteriores.

Os dados constam no Atlas da Violência, estudo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), elaborado com base nos registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

Ao todo, as unidades de saúde do País prestaram assistência a 186.177 mil mulheres vítimas de violência doméstica. Desse total, 100,8 mil declararam já ter sofrido ao menos um episódio de violência anteriormente.

"A sustentação desse ciclo frequentemente envolve estratégias de controle e isolamento, por meio das quais o agressor limita o acesso da mulher a redes de apoio - familiares, amigos e serviços - e amplia sua dependência. Nesse contexto, não é incomum que mulheres transitem reiteradamente pelos serviços de saúde após episódios de violência, sem que haja uma interrupção efetiva da dinâmica abusiva. Em muitos casos, essa trajetória contínua de violência culmina em desfechos letais, evidenciando como as desigualdades de gênero operam de forma estrutural e podem resultar em feminicídio", diz o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo os dados do sistema de saúde, 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024, o que corresponde a uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres. Esse número representa uma queda de 6,7% das mortes em relação a 2023.

De acordo com o Atlas da Violência, apesar da tendência de redução dos casos de mortes de mulheres, o volume de casos ainda permanece alarmante.

"Trata-se de uma tendência de redução que vem sendo registrada ao longo da última década. Desde 2014, primeiro ano da série histórica analisada aqui, houve diminuição de 27,7% na taxa de homicídios de mulheres notificados pelo sistema de saúde. Apesar desse recuo, o volume absoluto de casos permanece alarmante e evidencia a persistência da violência letal de gênero no país: entre 2014 e 2024, 46.336 mulheres foram assassinadas no Brasil", diz o levantamento.

Mulheres negras são as principais vítimas

Em 2024, foram registradas 2.457 mulheres negras vítimas de homicídio, o que representa 67,5% do total de homicídios femininos. Trata-se de uma taxa de 4,0 mulheres negras mortas a cada 100 mil mulheres.

Naquele ano, a taxa de vitimização por homicídio de mulheres negras (4,0 homicídios por 100 mil mulheres) foi 66,7% superior à taxa verificada entre mulheres não negras (2,4).

"As mulheres negras, entendidas como pretas e pardas, assumem destaque. Os dados do sistema de saúde, referentes aos homicídios femininos analisados por raça/cor, evidenciam que elas são as principais vítimas da violência letal", diz o relatório.

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