Cidades

QUEIMADA

Área queimada no Pantanal cresce 770% e quatro incêndios seguem ativos

Monitoramento por satélite aponta ocorrências em Corumbá, na divisa com a Bolívia, que somam quase 14 mil hectares

Em meio à onda de calor, à baixa umidade do ar e aos ventos fortes previstos para os próximos dias, o cenário mantém elevado o risco de propagação das chamas

Em meio à onda de calor, à baixa umidade do ar e aos ventos fortes previstos para os próximos dias, o cenário mantém elevado o risco de propagação das chamas - Divulgação-Ecoa

A área queimada no Pantanal de Mato Grosso do Sul cresceu 770,7% em 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto quatro incêndios florestais seguem ativos na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, em Corumbá. Em meio à onda de calor, à baixa umidade do ar e aos ventos fortes previstos para os próximos dias, o cenário mantém elevado o risco de propagação das chamas.

Os incêndios são monitorados pelo Painel do Fogo, plataforma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), que utiliza imagens de satélite para acompanhar a evolução das ocorrências.

Neste domingo (19), o sistema apontava quatro eventos ativos entre a região de Forte Coimbra e o Parque Nacional Pantanal de Otuquis, totalizando 13.719,94 hectares de área de influência. O indicador representa a área monitorada em torno das detecções de calor e não, necessariamente, a extensão já consumida pelo fogo.

O evento mais antigo começou na madrugada de 16 de julho, na região de fronteira entre os dois países. Conforme o Painel do Fogo, a ocorrência permanece ativa após quase três dias, com 4.804,81 hectares de área de influência. Na atualização mais recente, registrada na madrugada deste domingo, ainda havia quatro focos detectados por satélite.

Outro incêndio, identificado na tarde de sexta-feira (17), possui 4.669,95 hectares de área de influência. Embora tenha apresentado redução nas detecções ao longo do dia.

Um terceiro evento, iniciado na madrugada de sábado (18), concentra 3.026,37 hectares de área de influência. Durante as primeiras horas deste domingo, os satélites continuaram identificando focos de calor na região.

Já o quarto incêndio, também iniciado na sexta-feira, ocupa 1.218,81 hectares de área de influência. Apesar de não receber novas detecções desde a tarde de sábado, o evento segue classificado como ativo pelo sistema de monitoramento.

Todos os incêndios estão localizados na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia, em Corumbá.

Pantanal registra aumento de 770% em área queimada

O avanço das queimadas ocorre em um momento de forte crescimento dos incêndios no bioma pantaneiro. Levantamento divulgado pelo Cemtec e pelo Corpo de Bombeiros Militar mostra que, entre 1º de janeiro e 15 de julho, a área queimada no Pantanal sul-mato-grossense chegou a 58.878 hectares, um aumento de 770,7% em relação ao mesmo período de 2025.

No mesmo intervalo, o número de focos de calor no bioma cresceu 115,9%, passando de 69 para 149 registros. Enquanto isso, o Cerrado apresentou redução tanto na área queimada quanto nos focos de calor.

Ainda de acordo com o informativo, o Corpo de Bombeiros já colocou 402 militares nas ações de prevenção, preparação e combate aos incêndios florestais ao longo deste ano.

As condições meteorológicas previstas para os próximos dias devem continuar favorecendo o avanço das queimadas em Mato Grosso do Sul. Segundo o Cemtec, um sistema de alta pressão atmosférica mantém o tempo firme, dificulta o avanço de frentes frias e impede a ocorrência de chuvas, prolongando o período de estiagem no Estado.

Até segunda-feira (20), as temperaturas devem variar entre 33°C e 38°C na região pantaneira, enquanto a umidade relativa do ar pode cair para valores entre 10% e 30%. A previsão também indica ventos persistentes do quadrante norte, com velocidades de até 70 km/h e rajadas superiores a 80 km/h em alguns momentos, combinação que favorece a rápida propagação do fogo.

Conforme a previsão climática do Cemtec para o trimestre entre agosto e outubro, Mato Grosso do Sul deve registrar temperaturas acima da média histórica e episódios de calor intenso, influenciados pelo El Niño. Embora haja tendência de chuva um pouco acima da média ao longo do período, agosto e grande parte de setembro ainda devem permanecer secos, mantendo condições favoráveis à ocorrência de incêndios florestais, especialmente no Pantanal e em áreas de vegetação nativa.

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