Cidades

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Gaeco prende delegado e policiais por envolvimento com o tráfico

Investigação apurou que organização atuava no desvio de entorpecentes apreendidos, que eram colocados novamente no mercado ilegal

Investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu o envolvimento de pelo menos nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal, além de um delegado de polícia, em um esquema de desvio de drogas apreendidas, principalmente cocaína, que eram posteriormente entregues para traficantes revendê-las.

Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, 2 mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Terenos, pela Operação Infiltrados.

Um dos locais vistoriados ontem foi a casa do delegado Hoffman D’Ávila, que estava na 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. Contra ele também havia um mandado de prisão.

Antes da 6ª Delegacia de Polícia Civil, D’Ávila passou um período curto na Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), cerca de 4 meses, entretanto, de 2019 até fevereiro deste ano ele comandou a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).

Seria da Denar que a organização criminosa formada com os policiais desviaria a cocaína apreendida.

“O modus operandi adotado pela organização criminosa consiste no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão, nos registros formais, de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia. A droga desviada é então repassada para traficantes ligados à organização criminosa, os quais são responsáveis por reintroduzir o estupefaciente no mercado ilícito”, diz trecho de nota do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

“Ou seja, os policiais que integram a organização criminosa se valem de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para, em completa subversão de seus deveres funcionais, atuar como verdadeiros fornecedores para o tráfico”, completa a nota.

A organização criminosa foi descoberta em outubro de 2025, “a partir de provas fortuitamente descobertas nas Operações Traquetos e Blindspot, ambas do Gaeco, [que] revelaram a participação de vários policiais em um grandioso esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína”.

06 0926 0028 Operação Infiltrados   MVGaeco levou objetos da casa do delegado Hoffman D’Ávila, que foi preso apenas durante a tarde - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

SUMIÇO

Quando o Gaeco, acompanhado da Corregedoria da Polícia Civil, da Corregedoria da Polícia Militar, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal (MPF), chegou ontem para cumprir o mandado de prisão e de busca e apreensão na casa do delegado, ele não estava no local.

Hoffman D’Ávila passou a manhã e boa parte da tarde desaparecido, porém, entregou-se à Corregedoria da Polícia Civil no fim da tarde de ontem, quando foi preso.

Além dele, outro preso seria o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, de 39 anos, conhecido como Paraíba, que foi exonerado recentemente.

O ex-investigador já havia sido detido em novembro do ano passado em outro caso, que envolvia suspeitas de negociação de mercadorias contrabandeadas.

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que a operação envolve servidores “que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente”.

“A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados”, diz a nota.

ADVOGADA

Além dos policiais e do delegado, uma advogada também foi presa na ação. Jéssica Santos tem um escritório de advocacia em sociedade com o marido, que não é investigado, e teria um familiar envolvido com o narcotráfico.

Em uma busca no banco de processos criminais, o Correio do Estado encontrou processos em que Jéssica defende acusados de tráfico presos pela Denar.

*SAIBA

As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, quando o Gaeco descobriu provas da ligação de vários agentes da segurança pública com o tráfico de drogas em materiais apreendidos pelas Operações Traquetos e Blindspot.

Oportunidade de Emprego

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Previdência Social

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