Trabalhei, quando estava cursando mestrado na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, assessorando as diretorias de bancos de desenvolvimento. Fui integrado na equipe pelo inesquecível Dr. José Brandt Silva, antigo diretor do Banco Central e Diretor Presidente das referidas instituições.
Eram organizações voltadas para projetos estratégicos – especialmente infraestruturas de cidades – essenciais para elevar a eficiência da economia e o bem-estar social da região sudeste. Lembro de que os recursos eram sempre limitados, o que obrigava a escolhas cuidadosas dos financiamentos a ser realizados. Inúmeras vezes recebíamos demandas de recursos que fugiam do papel estratégico das instituições de crédito de fomento. Neste momento em que o processo eleitoral está se iniciando discute-se a expectativa de retomada de crescimento do País. Privilegiaram-se até então a estabilidade da economia e relevantes projetos para combater o desemprego, a violência, a falta de moradia, a fome e a crise social. Contudo, a produção de energia elétrica poderá ser uma pedra de tropeço, pois se verifica uma crise no setor. Como o problema é amplo e profundo, a questão exige estudos criteriosos, que certamente estão sendo realizados pelas equipes dos candidatos. Lendo o Correio do Estado e outros órgãos de imprensa, ficamos sabendo que a hidrovia Paraná-Tietê enfrenta restrições no transporte de cargas por causa do baixo nível dos rios. Como simples professor aposentado pergunto: o que está ocorrendo? No vizinho Estado de São Paulo já existe um plano para restringir o consumo de água chamado pelas autoridades de “racionalização”.
É preciso que os candidatos mostrem claramente como pretendem combater, de forma ampla e sistemática, os problemas mais prementes que o País enfrenta neste momento histórico.
No primeiro caso, o setor considerado mais promissor e seguro para produção de energia em todo o mundo sempre foi o hidroelétrico. O Brasil dispõe de matriz energética com forte componente de energia renovável, como a hidroelétrica, mas parece que não é o suficiente. Remodelar o setor elétrico também parece providência imediata segundo os especialistas da área. Dispomos também de energia solar e de energia eólica. Não podemos nos esquecer do álcool combustível, do bagaço de cana e lixo urbano que também são importantes fontes de energia. Apesar de estarmos em outro momento histórico, entendo que as pressões sobre os bancos de desenvolvimento só diminuirão quando houver confiança suficiente para que o mercado de capitais se interesse pelo assunto, ampliando as alternativas de financiamento privado no País. Só o Estado não é suficiente para bancar o tamanho da conta em um país emergente como é o nosso.