A expectativa de vida do brasileiro, segundo o censo realizado em 2010, é de 73,8 anos com uma projeção de 76,1 anos em 2020, crescimento este que causará uma mudança significativa no estilo de vida desta camada da população e em várias outras que a cercam. Com este crescimento na expectativa de vida, o Estado terá um grande desafio, o de como dar qualidade de vida a esta população, ofertando saúde, lazer e mobilidade.
Atualmente, o Brasil não está nem próximo de atender a estas expectativas e não estamos falando de 2120, mas de 2020, ou seja, de um mandato completo de nossos governantes, e pouco se ouviu falar em políticas para a terceira idade. E, ao tocar nesse assunto, é necessário pensar que a longevidade da população atingirá várias outras no seu modo de viver, porque, junto a essa expectativa de vida, aumentam os anos produtivos da população.
Segundo alguns estudos, em 2020 pessoas com mais de 60 anos vão representar 13% da População Economicamente Ativa (PEA), assim, grande parte dessa população estará trabalhando e cuidando de seus pais e, com eles em casa muitas vezes dependendo de atenção, assim como hoje há várias mães que necessitam trabalhar e se deparam com a falta de creches, haverá este problema para ser solucionado: Qual a melhor forma de enfrentá-lo? Asilos? Cuidadores domiciliares? No primeiro caso, acreditamos não ser a forma ideal de se tratar o idoso que tem um vínculo familiar, mas atualmente isso ainda acontece (algumas vezes por necessidade), porém, é uma atitude a ser bem pensada, em razão do distanciamento e do trauma que podem ser causados às duas partes.
Já os cuidadores, por sua vez, tornam o custo não acessível para alguns. Ainda há que se pensar na qualidade de vida dos que nos criaram e que nos ajudaram a construir o país onde vivemos atualmente e não deixá-los em um canto aguardando a morte chegar. A atividade mental, conciliada com uma atividade física moderada e perto dos familiares, faz toda diferença.
A melhor alternativa seria o Estado concentrar essa estrutura em apenas um lugar, construindo o que poderia ser chamado de “Centro de Convivência da Melhor Idade”, local onde estaria a faixa da população que encontraria atividades físicas específicas para o momento da vida em que estão, como a hidroginástica e outras atividades de pouco impacto; atividades que coloquem a mente em atividade, como cursos de artesanato e informática; e um centro médico especializado na saúde do idoso e com acompanhamento de alimentação balanceada. Esse espaço começaria a ser frequentado por eles, por livre e espontânea vontade, até quando tivessem a mobilidade para se deslocar. A partir do momento em que estivessem mais frágeis, a família ou o Estado fariam o transporte.
O ambiente funcionaria como se fosse uma creche, com as vantagens de que o Estado estaria cuidando e monitorando a atividade, evitando maus-tratos, pois, com a convivência diária acompanhada de profissionais capacitados, a violência doméstica seria detectada com maior rapidez.
Caso a alternativa acima se torne realidade, até o sistema de saúde será beneficiado, pois, com a prevenção acompanhada de uma alimentação balanceada, remédios na hora certa e atividade física e mental, haverá redução nas filas de hospitais e postos de saúde, como também aumento da qualidade de vida. Chegou a hora de pensar nas pessoas que fizeram muito por nós e pensar, também, no nosso futuro, porque o que é plantado hoje para eles será colhido para nós no amanhã, ou você imagina que esta longevidade tende a diminuir? Acreditamos que não, o que faz ter certeza de que este espaço será utilizado no futuro por mais tempo que esta geração.