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Frei Venildo Trevizan: "O silêncio da morte"

Frei Venildo Trevizan: <br>"O silêncio da morte"

Redação

01/11/2014 - 00h00

A comemoração do dia de finados remonta ao ano mil da era cristã. Os monges beneditinos julgaram bom e louvável venerar aqueles que nos antecederam deixando marcas de fé e de vida exemplar em virtudes e em obras de caridade e de misericórdia.

O cristianismo já celebrava o dia de todos os santos no dia primeiro de novembro. Foi muito natural marcar o dia seguinte como o dia de recordar e venerar os mortos. E assim todos os que deixarem  esse mundo terão um dia especial para serem lembrados.

Não é apenas uma lembrança. É também um tempo para o silêncio e para a meditação. O silêncio como oportunidade de entrar em si e rever o sentido e o endereço que estamos dando ao nosso viver. Não é silêncio que possa causar medo. Mas um silêncio para recordar momentos felizes e fortalecer a fé na vida que será eterna junto a Deus.

Tudo quanto esteja acontecendo aqui sabemos como coordenar e como conduzir. Mesmo surgindo imprevistos e contratempos temos como contornar. O que haverá após a morte a inteligência humana não tem condições de explicar e entender. Embora ajude a discernir atitudes e comportamentos, não terá como garantir explicações do após morte.

Só pela fé conseguiremos apaziguar nossa consciência acreditando nas palavras do Mestre que garante: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acreditar em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim não morrerá para sempre”. (Jo.11,25-26).

Tudo é questão de fé. A pessoa que não consegue acreditar em Deus, ou não quer acreditar nele, terá uma dificuldade profunda em acreditar em si mesma e em seus conceitos. Isso porque é impossível ao ser humano viver sem acreditar em algo.

Todos temos um deus em quem acreditar. Seja uma energia, seja uma força superior, ou seja um conjunto de ideias filosóficas. Temos que acreditar em algo ou alguém.

Sem uma crença o ser humano deixa de ser humano. Sempre necessitará de algo mais forte e mais poderoso em quem se apoiar e a quem confiar. Sabe que a vida não é interrompida com a morte, mas continua e entra para a plenitude da glória e da bem aventurança.

A morte não será o fim de uma existência. Até a árvore, antes de morrer, deixa suas sementes para continuar a viver. E o ser humano por onde passa também deixa suas marcas, suas obras, seus ensinamentos e seus exemplos para permanecer vivo nas mentes dos que permanecem.

Mesmo sabendo que a morte física é certa, mesmo assim todos alimentam sonhos de eternidade. O medo é natural. Para alguns poderá ser exagerado. Para outros poderá causar desespero. Para quem acredita na continuidade da vida é certeza de ressurreição e de vida eterna na glória junto de Deus.

A morte não fala. O seu silêncio é que ensina como devemos construir a vida. E a vida se constrói no amor quando soubermos ser solidários com os mais necessitados.

E a vida não morre. Só a matéria se desfaz. A vida é eterna porque eterno é Deus em seu amor, em sua bondade e em sua misericórdia.

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