O automóvel foi criado com o intuito de melhorar a vida do homem, porém, na contramão desse propósito, surgiram os acidentes de trânsito, que são, na maior parte das vezes, resultados de imprudência ou negligência dos condutores.
O primeiro carro surgiu na Alemanha em 1885, cujo design apresentava, diferentemente de hoje, três rodas. A partir de então, foi-se desenvolvendo até que Henry Ford, em 1892, produziu o primeiro carro com quatro rodas na América do Norte. À época, a tecnologia ainda era incipiente, e não havia tantos acidentes como atualmente, muito menos condutores imprudentes.
Hoje o automóvel é um objeto de desejo de muitas pessoas e também é algo cujo poder é capaz de trazer amplas quantias monetárias sob a forma de lucro para a indústria, contudo isso não elimina as causas dos acidentes, em geral imprudência, imperícia e negligência dos condutores, que acreditam que, ao burlarem as leis, não serão punidos.
Criado o automóvel, este foi desenvolvido para que pessoas pudessem locomover-se por longas distâncias ou mesmo de um Ponto A a um Ponto B. Hoje vemos, entretanto, que cada vez mais condutores negligenciam as leis criadas para sua própria proteção, acarretando atropelamentos e mortes de pessoas inocentes, que apenas seguiam, como eles, de um ponto a outro.
Um órgão mundial importante como a Organização das Nações Unidas (ONU) produziu, no ano de 2010, um documento que caracterizaria os anos de 2011 a 2020 como a “Década de ações para a segurança no trânsito”. A partir desse estudo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reuniu informações sobre a questão: no ano de 2009, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas morreram em acidentes de trânsito em 178 países e cerca de 50 milhões de pessoas se recuperaram de seus acidentes sem complicações nem sequelas.
Representado como a nona causa de morte em todo o mundo, os acidentes de trânsito encabeçam a lista de mortes na faixa de 15 a 29 anos de idade, ficando o segundo lugar para a faixa de 5 a 14 anos e o terceiro, na faixa de 30 a 44 anos. Representam também um alto custo, na faixa de bilhões, para os cofres públicos de países do mundo todo.
De acordo com a ONU, os acidentes agravam-se, sobretudo, nos países de baixa e média renda; segundo a OMS, estima-se que 90% dos acidentes ocorrem em países em desenvolvimento, incluindo nessa lista o Brasil. No universo dos veículos de todo o planeta, esses países em desenvolvimento possuem a parcela de 48% de automóveis. Tal percentual sinaliza que, em face da quantidade de veículos automotores, é mais perigoso dirigir nesses países.
E não para por aí. O Brasil é o quinto país recordista em acidentes de trânsito, precedido por países da Europa, da Ásia, da América do Norte, da América Latina e da África do Sul, que somam entre eles 62% dos acidentes de trânsito pelo quais são responsáveis.
Previsões da OMS apontam para provável agravamento da situação em decorrência do mau planejamento em relação à segurança de vias públicas. A organização estima que, caso nada seja realizado até 2020, 1,9 milhão de pessoas irão morrer em acidentes de trânsito e 2,4 milhões de pessoas morrerão até 2030.
As causas para os acidentes de trânsito têm sido, muitas vezes, representadas por uma analogia com os dois lados da mesma moeda: a imprudência dos condutores e a falta de planejamento e rigidez das leis. A falta de planejamento não tem, no entanto, relação de pertinência nem com imprudência dos condutores, nem com rigidez das leis, sendo, dessa forma, um terceiro elemento e, assim, não cabendo a comparação, já que uma moeda tem apenas dois lados, para enaltecer a segurança de condutores, ciclistas e pedestres. Sempre caberá aos condutores prestar atenção por eles e por aqueles que também dirigem e também transitam pelas ruas. É necessário que condutores conduzam com responsabilidade e atenção para si e para aqueles com quem compartilham as ruas e que possuem o mesmo objetivo: alcançar o Ponto B.