Artigos e Opinião

opinião

Mario Amaral Rodrigues: "A sabedoria da barba de molho"

Docente aposentado da UFMS – Associado do Rotary Clube de Campo Grande Universidade.

Redação

23/11/2014 - 00h00

O conhecimento é cumulativo, segue num crescendo insaciável e responde pelo progresso, não havendo como contê-lo. Assim, o progresso só vai e vai, não há como fazê-lo voltar. Bom seria poder nos livrar de alguns de seus avanços pois, em função dele, o ar que tinha qualidade lá e aqui, lá já não tem mais e logo será assim por aqui também; a água que aqui ainda há, lá escasseia. Como garantir a qualidade do ar e como não deixar que a água se vá? 

Até temos conhecimento para “encarar” estes problemas, Ocorre que nos falta sabedoria. O conhecimento impulsiona o progresso, mas o bem só é a ele aliado se aquela estiver  presente. O conhecimento é construído, a sabedoria é inspirada. Ao conhecimento basta a inteligência, à sabedoria se soma a sensibilidade. Tomemos um exemplo, um só. A descoberta da pedra como arma, é o conhecimento com que se chegou ao machado de pedra, com o qual se chegou ao machado de ferro, com o que se cortou o sândalo. A sabedoria de Confúcio tomou o fato e nos deixou a célebre mensagem: “Sê como o sândalo ...que perfuma o machado que o fere”. O conhecimento pode até facilitar a vida, a sabedoria é que nos permite viver bem. 

Temos conhecimento sim, para atuar na escassez (ainda não é a falta) de água lá e acolá. Com ele podemos fazer chover, exatamente onde se quer que ela caia. É sabido que “bombardear” com gelo (finíssimo, como névoa) um pedaço de céu com alguma nuvem precipita chuva. O custo disto, possivelmente, seja menor que a transposição de um rio distante alguns quilômetros, porque o túnel ou canal para fazê-lo é permanente, enquanto a operação com gelo, para provocar chuva, deverá repetida sabe lá quantas vezes, a cada estiagem. Mas e se a estiagem que hoje ocorre aqui se transferir para a cabeceira do rio que trouxemos de lá? Iremos fazer a transposição de outro e mais outro? 

Aqui, em Campo Grande temos água de excelente qualidade, para nosso orgulho, mas não para nossa eterna tranquilidade e nem para eterna tranquilidade de cidade alguma, do Brasil, o segundo mais rico do mundo, em água potável (por enquanto). A sabedoria, de autor desconhecido, que nos ensina a viver, tanto quanto Confúcio, nos diz: “Quando vires a barba do vizinho pegando fogo..põe a tua de molho” (na água, é claro). Não consideremos os conhecimentos disponíveis, para fazer chover, para fazer transposição e sim a sabedoria anônima acima lembrada (e quanta sabedoria...). 

A escassez que está ali (São Paulo é quase aqui) pode se dar aqui, pois a sabedoria que lá faltou tem forte evidência de que falta aqui. Lá a exploração imobiliária avançou sobre a área das represas que abastecem a cidade, há lixo no entorno e no fundo delas, as árvores que eram muitas, muitas mesmo, são agora quase nada. O solo do município está, em alto percentual, revestido, impedindo infiltração de água. E tem mais ameaças, temerosa realidade que nos apavora por aqui também, o desmatamento na Amazônia atinge todo território abaixo dela, como bem esclarecido em recentes matérias jornalísticas.

A sabedoria que lá não pegou, a de não permitir corte de tantos elementos da floresta, até a eliminação daquela, também não pegou aqui. Os córregos Prosa e Segredo já sucumbiram. Em lugar de suas “matas ciliares” estão asfalto e edificações. A exploração imobiliária, a mesma de lá, e de todas as cidades, avançou sobre o espaço com água, tomando-o como de pano fundo, enfeite de muita imprudência, que continua. As edificações podem até ficarem mais bonitas ali, mas nunca vão cumprir a função da mata ciliar. 

Se lá e acolá é isto que ocorreu, e continua a ocorrer, aqui igualmente se fez e continua a fazer o mesmo mal. Sabiamente, temos que garantir as margens com vegetação que ainda existe, multiplicar mais e mais a arborização, inclusive nos quintais, em especial, com frutíferas, desapropriar, com o custo que custar, as margens artificiais, devolvendo-as (com as mata ciliares) aos seus “proprietários” (Prosa, Segredo, Anhanduizinho e demais “parentes”), antes que ideias menos sábias, como transposição do Rio Aquidauana (se ele ainda existir), com custo muito maior, venha “brotar”, como brotou por lá. É colocar nossa barba de molho (em água que ainda temos)...a de lá está ardendo.  

Artigo

A vingança da natureza promete ser terrível!

As florestas tropicais, como a Amazônia, as florestas da África Central e as do Sudeste Asiático, desempenham papel fundamental para o equilíbrio climático do planeta

06/11/2026 07h30

A vingança da natureza promete ser terrível!

A vingança da natureza promete ser terrível! Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

Editorial

Aversão à vigilância da atividade policial

Se não existe procedimento padrão seguro dentro das delegacias, que dirá fora delas

06/11/2026 07h20

Aversão à vigilância da atividade policial

Aversão à vigilância da atividade policial Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).