Na última segunda-feira (24/11), procuradores que atuam na Operação Lava Jato da Polícia Federal viajaram para a Suíça para tentar a liberação de US$ 23 milhões depositados em cinco contas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Sob delação premiada, ele confessou que o dinheiro teve origem em propinas que recebeu de empreiteiras e fornecedores da estatal e autorizou a repatriação do dinheiro, que deverá ser depositado em contas do governo brasileiro.
Na terça (25), o Ministério Público suíço confirmou que estava disposto a colaborar nas investigações de suposto desvio de dinheiro da Petrobras para contas naquele país europeu. Em nota à imprensa, a autoridade suíça explicou que se reunirá com os procuradores brasileiros “com objetivo de discutir a colaboração entre os dois países no contexto do caso Petrobras”. Ainda na nota, os suíços informaram que será discutido, na reunião, como facilitar o acesso de brasileiros às movimentações bancárias realizadas pelos investigados pela polícia.
Mas a pergunta que se faz nesse tipo de caso envolvendo o Brasil e outro país que é admirado por todos por sua riqueza, alegria e alto índice de desenvolvimento humano e material, é: Por que a Suíça “faz de conta que não vê” esses tipos de depósitos suspeitos que são feitos há muito tempo em contas bancárias de lá, que, no frigir dos ovos, são a razão maior de sua FIB (Felicidade Interna Bruta)?
Segundo o Ministério Público suíço, porém pelo menos no caso da Operação Lava Jato, foi “o escritório do Procurador-Geral da Suíça que iniciou a investigação criminal relacionada a ofensas de lavagem de dinheiro no dia 11 de abril de 2014 e as movimentações bancárias suspeitas foram localizadas pelas autoridades em Berna”.
E mais: Segundo os suíços, não foi a Justiça brasileira que pediu ajuda a eles neste caso, mas ao contrário. “Durante as investigações o escritório do Procurador-Geral suíço pediu ajuda às autoridades brasileiras, submetendo a eles pedido de assistência mútua legal em assuntos criminais”, explicou o Ministério Público suíço.
Independente, porém, do desfecho do caso em pauta, a pergunta feita acima continua válida: Por que a Suíça age de forma tão antiética em casos de depósitos suspeitos feitos por pessoas físicas e jurídicas de outros países em seus bancos nacionais?
A resposta pode estar em texto escrito por Gabriel Leite Mota em fevereiro deste ano e intitulado “Suíça: Ladrões de felicidade?” Depois de elogiar aquele país como um dos mais democráticos e de desenvolvimento humano mais aprimorado, além de ser um dos povos mais ricos e felizes do mundo, ele diz: “Os suíços, conhecidos pelo seu fabrico minucioso de relógios e chocolates, não devem, no entanto, a sua boa sorte a essas indústrias “gourmet”. Se pensarmos bem, a verdadeira especialização da Suíça tem sido a neutralidade e a amoralidade, materializada no seu sistema bancário, que absorveu dinheiro de todo o mundo, viesse de onde viesse”.
O que se espera, porém, é que pelo menos neste episódio da Operação Lava Jato o dinheiro sujo depositado por Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e outros bandidos da mesma laia, que esteja depositado em sólidos e “insuspeitos” bancos suíços, seja recambiado para o Brasil, pois que aqui certamente ele fará muito mais falta do que lá nos magníficos Alpes. Tomara!