Artigos e Opinião

ARTIGO

Octavio Luiz Franco:''Profissão Ciência ''

Coordenador do S-Inova, Professor do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da Universidade Católica Dom Bosco.

Redação

11/12/2014 - 00h00

Nas ultimas décadas o mundo tem acompanhado uma enorme transformação cultural e tecnológica.Há apenas 30 anos escutávamos músicas ainda em LPs, a internet basicamente não existia e os telefones celulares eram apenas tecnologias fantásticas utilizadas por heróis e vilões em filmes de espionagem. Mas além destas transformações marcantes que ocorreram em todas as casas brasileiras, a ciência também mudou em seu cerne. A mais de um século, H.G. Wells mostrava ao mundo um cientista insano e perigoso em sua obra a “A ilha do Dr. Moreau”, onde um cientista obcecado gerava criaturas monstruosas em uma ilha tropical. Embora por muitos anos os cientistas e pesquisadores tenham sido vistos como pessoas reclusas com perguntas mirabolantes e cabelos ensandecidos, a verdade é que esta profissão hoje mudou completamente. Em um mundo globalizado e extremamente competitivo, os pesquisadores profissionais basicamente deixaram de usar seus brancos e alvos jalecos e se tornaram uma mescla de professores, pesquisadores, gerentes e empresários. Nos dias de hoje um cientista de ponta atua e transita em múltiplas áreas mesmo tempo, iniciando seu trabalho ao ter ideias criativas e inovadoras além de uma enorme paixão por desafios. Mas ter ideias consiste apenas no primeiro passo essencial de se fazer ciência de qualidade. A viabilização da execução da ideia consiste em um trabalho completamente diferente. A grande maioria das boas indagações custa muito caro, dada à alta tecnologia envolvida e o uso de reagentes específicos que em sua maioria são importados. Em termos, a produção de um fármaco, por exemplo, pode custar de 200 a 500 milhões de dólares. Assim surge outra faceta do cientista moderno, com um lado para o empreendedorismo e marketing, focando na busca de financiamentos para sua pesquisa. Nos dias de hoje, grande parte do tempo dos pesquisadores tem sido gasto na montagem de projetos para órgãos de financiamento e empresas, objetivando convencer ambos de que sua ideia é inovadora, factível e diferencial. Ao aprovar o recurso, o cientista se torna um gestor financeiro e de pessoas. No primeiro quesito, o cientista brasileiro deve aprender a nobre e conspícua arte da contabilidade. No segundo, o pesquisador deve montar uma equipe eficiente e multitarefas, mesclando pesquisadores seniores e jovens estudantes para o desenvolvimento do projeto com eficiência e qualidade. Notoriamente no mundo de hoje nenhuma pesquisa relevante se faz sozinho e redes mundiais enormes com centenas de cientistas são construídas a fim de resolver problemas graves. Assim cientistas de inúmeras áreas se juntam tentando contribuir em algum ponto do problema, o que torna possível ao pesquisador, também um explorador, viajar pelo mundo para aprender e ensinar. Vale ainda ressaltar que a grande maioria da pesquisa está concentrada nas universidades. Desta forma o cientista deve estar também apto a demonstrar seu conhecimento para os alunos, proferindo aulas de excelência e atraindo os jovens pesquisadores do amanhã. Finalmente e não menos importante, o pesquisador também deve ter uma veia de escritor, estando apto a demonstrar seus dados à sociedade através de artigos científicos, relatórios, patentes ou artigos para a popularização da ciência. Em suma, o cientista moderno consiste em uma mescla apaixonada e excitante de múltiplas profissões e estes indivíduos singulares, em conjunto com a sociedade moderna, trazem benefícios incalculáveis em todas as áreas. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

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