A alegria é uma virtude que se desenvolve nos corações que amam, floresce nos semblantes que irradiam esperança e se concretiza nos gestos que expressam generosidade.
Essa alegria precisa ser renovada a cada dia, em cada ação e em cada relacionamento com os irmãos e com Deus. É um constante renovar. Não é possível persistir nos velhos vícios, nas velhas manias e nos velhos rancores.
O comércio renova os estoques. As empresas renovam as propagandas. As indústrias renovam as marcas e as modas. A sociedade renova o estilo de vida, o estilo de se vestir e o estilo de se comunicar.
E agora, por ocasião do Natal, renovam-se as luzes, os sons, as sugestões de ceia de Natal, os presentes, as promoções e os relacionamentos.
E o coração? Também precisa renovar seus sentimentos, seu modo de conviver com as pessoas, seu jeito de se relacionar com o irmão e com Deus. Precisa renovar seus gestos de misericórdia e de perdão.
E o sagrado? Também necessita de uma profunda renovação para poder comungar e partilhar os valores espirituais e sobrenaturais. Pensar no social, no econômico e no festivo faz bem ao coração e agrada aos sentimentos. Mas não será suficiente.
Será preciso completar. E só será completo quando e onde houver espaço para o amor sincero, o respeito com os mais fracos e a solidariedade com os mais fragilizados.
A Igreja também precisa se renovar. Não pode permanecer indiferente às injustiças e à corrupção que estão se infiltrando na sociedade. Precisa ser a voz que clama no deserto. Precisa abrir caminhos seguros que conduzam o povo à união e à solidariedade. Precisa ser luz e não treva. Precisa ser libertação e jamais opressão.
A Igreja precisa ser a mestra que orienta os caminheiros de todas as classes e nações no rumo da solidariedade e da paz. Precisa fazer-se palavra viva e alimento saudável. Precisa fazer de si uma fonte da qual jorra sabedoria, simplicidade e comunhão entre todos.
A Igreja não pode omitir-se diante das desigualdades gritantes. Precisa ser como o papa Francisco a quer: “Uma Igreja pobre para os pobres; uma Igreja atenta aos apelos de justiça e de verdade; uma Igreja caminhando com o povo”.
Não só ela, mas toda a sociedade necessita renovar seu modo de tratar a natureza com suas criaturas. Com a proximidade do Natal, é importante reservar um tempo e refletir sobre o gesto de Deus em vir a esse mundo com tanta simplicidade e tão grande humildade.
A natureza com suas criaturas é obra desse Deus. Por meio delas, o Criador quer revelar seu amor e seu apreço para a humanidade. Mas os humanos nem todos compreendem isso. Continuam desmatando, poluindo e destruindo. O orgulho cruel se opõe ao amor fiel.
Já que o Natal é uma festa marcada pela simplicidade, pelo carinho e pela ternura, é bom lembrar os tempos de criança e retomar aquelas atitudes de expectativa e de ansiedade na espera dos presentes. Que essa lembrança leve todos a também renovarem a fé, o amor e a esperança.