Os jornais, todos eles, todos os dias, enchem-nos de notícias de corrupções dos órgãos públicos nas últimas eleições. Só o excelso Luiz Inácio Lula da Silva e a excelentíssima Dilma Rousseff garantem que não sabem de nada. Acho que os julgam idiotas ou débeis mentais. De tudo que temos lido nos jornais, desde o mensalão, fica-nos a convicção de um estrondoso desvio de dinheiro das estatais. Roubo. Estão roubando nosso dinheiro, aquele que poderia melhorar nossa educação, saúde, transporte, etc.
Hoje os jornais nos trazem nomes dos corruptores. Todos? Ainda não: mas, a festiva notícia é de que já há nomes. Vamos punir? Assim esperamos, com a garantia de total defesa para todos. Temos temores: o mais preocupante é a protelação pela habilidade dos advogados e políticos, em desviar nossa atenção e confundir-nos na percepção do crime ou da ação punitiva que o roubo e corrupção exigem. O entulho de informações sem nenhuma decisão punitiva e protelações poderão nos levar à saturação e ao perdão por esquecimento. Nossa justiça tem pós-graduação e doutorado na protelação, essa forma maior da promoção do esquecimento e o involuntário perdão.
O desejo da punição não envolve em nós nenhum sentimento de agressão. Ao contrário, mais forte é o temor da injustiça e a tristeza de ver este País mergulhado na corrupção. O desejo da punição está ligado ao desejo muito maior, muito mais profundo de tirar o Brasil dessa lama imunda, que fede. Mais forte, entretanto, que o mau cheiro é a convicção política de que esse roubo tem um conteúdo virtuoso pelo poder de, com eles, ganhar eleições. Isso faz da corrupção, na cabeça desses políticos uma espécie de roubo patriótico, pois eles têm a convicção de possuir o único caminho de salvação nacional, o único caminho de solução da incômoda desigualdade social que campeia em grande parte desta pátria amada, salve, salve.
Alguns dados nos chegam com clareza. O mais evidente e o mais estúpido é a total corrupção das nossas estatais, particularmente a imponente Petrobras, hoje de torneiras totalmente abertas para alimento do roubo. Bilhões jogados fora. E, tudo bem, porque “O petróleo é nosso”. Mas, no fundo de nossa alma, é o roubo que é nosso. Roubo de mais de bilhões de reais. Chega. Estão jogando no lixo a história deste País, antes alegre e feliz. Precisamos repetir todo dia, toda hora, que corrupção é crime e deve ser punido.
Além da punição, duas coisas fundamentais devem ser imediatamente programadas e executadas: primeiro, a privatização das estatais; segundo, o fim das eleições diretas. Vejamos alguma coisa sobre privatização. É fácil entender a estupidez da empresa estatal. Basta a percepção psicológica de que ela não tem dono, isto é, a administração das estatais não são feitas por seus donos. Disso decorre que o seu fracasso não dói no bolso dos executivos. O seu fracasso pode, às vezes, resultar numa demissão, da qual costumam sair bem protegidos de recursos. O fracasso numa empresa privada, ao contrário, dói no bolso e resulta em quebradeira. Convido o leitor a fazer uma comparação psicológica entre um empresário privado e outro público. Isto é, um empresário que administra o que é seu e outro que não sente no bolso o efeito do seu fracasso. Essa diferença é total e fatal.
Os Estados Unidos são os maiores produtores de petróleo no mundo e nunca tiveram um poço sequer explorado pelo estado. A Inglaterra estava falida quando Margareth Thatcher resolveu vender todas as suas empresas estatais. Hoje disputa com a Alemanha a liderança europeia. Roberto Campos uma das mais brilhantes cabeças deste Brasil de glórias mil, embaixador, ex-ministro, senador por dois mandatos, doutor em economia e jornalista de elite, com esses títulos escrevia nos maiores jornais nossos e com insistência, que parecia incômoda, pedia com bons argumentos a privatização da Petrobras, que ele chamava de Elefante Branco. Hoje é um elefante podre, que fede.
A minha voz, neste clamor, sei que mal chega em minha esquina. Mas sei que posso ser lido por alguns políticos de valor, por homens de bem, professores, militares, nossos jovens idealistas e muitos mais com quem devemos pedir o fatiamento e privatização dessa apodrecida Petrobras, que está fedendo. Este clamor não se aplica à equipe técnica da empresa, mas sim aos vendilhões do templo, políticos especialmente.