Artigos e Opinião

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Ruben Figueiró: "Reflexões sobre o tempo que virá"

Senador da República e presidente de honra do PSDB

Redação

12/01/2015 - 00h00

Apreciando o pôr do sol no último dia do ano, pareceu-me uma nostálgica despedida dos dois. O sol voltou quando os portais da aurora do dia primeiro se abriram e seus raios de luz, como uma prece de esperança, nos despertaram para uma nova e longa etapa de 365 dias. O ano de 2014 estará sob sete palmos e relegado ao esquecimento e só será recordado por saudosistas melancólicos.

A realidade, 2014 se analisado sob uma visão prudente, ficou com a marca da coluna do meio. Fatos deploráveis aconteceram, outros se apresentavam com uma aura de esperanças para os quatro anos seguintes,  na expectativa de uma oxigenação em amplos setores da vida nacional, desde os mais sensíveis  tais como os das políticas públicas e do desenvolvimento econômico e social. É o que se almeja.

Em recente debate pela TV paga, ouvi do sociólogo e cientista político Bolivar Lamounier, ao deplorar o atual quadro da política partidária do país, sobretudo pela ausência de conteúdo doutrinário definido e respeitado pelas agremiações, visceral deficiência que tem permitido a sua pulverização - hoje há mais de três dezenas de partidos registrados no TSE e tantos outros em processo de regularização. Lamounier prelecionou três pontos que considera fundamentais para se ter partidos organicamente distintos e fortes capazes de galvanizar a opinião pública.

Três são os pontos: ideias, deveres e organização. Ideias consubstanciais para captação de adeptos; deveres para seus inscritos a fim não sejam apenas figurantes e participem permanentemente de sua ação politica; e organização como peça fundamental que dê ao partido credibilidade e que seus propósitos se fundamentem em raízes sólidas e pra valer. As últimas eleições de outubro constituíram-se em um brado de alerta, uma vez mais. O eleitorado denunciou sua descrença nos partidos, deles sobressaindo pouquíssimos com condições de recuperação de expectativas por parte da vocação popular.

De minha parte, visualizo o momento oportuno para lançar novas ideias que levem em consideração o  parlamentarismo como saudável sistema de governo. O  sistema presidencialista vigente há quase um século e meio, implantado pelo gênio de Rui Barbosa como num processo, diria de inseminação artificial, eis que distante da natureza do eleitor, apresenta-se falido pelas crises que tem provocado e pela ausência de estrutura institucional consistente eis que personalizado com o sub título de “presidencialista de coalização” permeado pela desorganização e o vírus da corrupção.  Há motivos para preocupações. Creio que há muito não vivenciamos um ano tão toldado de incertezas.

 

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