As notícias amplamente divulgadas pelas principais empresas televisivas do País sobre a roubalheira do dinheiro público, produzida pelas ações nefastas de alguns dos senhores vereadores das cidades sul-mato-grossenses de Ribas do Rio Pardo e Naviraí, desnudaram a face mais sórdida daqueles que não estão preparados para bem e melhor interpretar os reclamos dos seus cidadãos no campo político.
Esse tipo de gente, que praticou verdadeiros atos de insanidade, precisa ser jogado definitivamente para o ostracismo político. Não pode nunca mais receber a chancela do eleitor para voltar à vida pública, à militância política. A razão é simples de ser entendida: não é possível que esses senhores não conheçam a história de heroísmo e de bravura dos seus pioneiros, que, desbravando com os seus próprios braços um sertão hostil, construíram com a grandeza do seu trabalho e a audácia do seu idealismo uma cidade para que os seus vindouros pudessem usufruir dos benefícios que ela poderia oferecer.
Como se isso não bastasse, relegaram a último plano os seus compromissos, induziram ao erro vítimas incautas e, na maioria das vezes, compraram com dinheiro sujo a investidura no cargo eletivo como um verdadeiro passaporte para as práticas condenáveis. O Poder Legislativo municipal tem uma importância singular no contexto da organização política nacional, porque é nas cidades que vive e trabalha o homem. Seu edifício é verdadeiramente a Casa do Povo, onde deve desaguar todas as súplicas e lamentações, e a sua tribuna, a mais forte expressão da liberdade de pensamento e de opinião.
Mas como exigir tudo isso de quem nem sabe a origem etimológica do cargo legislativo que ocupa? A palavra vereador vem do verbo latim verear, que significa “zelar pelo sossego e bem-estar dos munícipes”, com um trabalho sério, honesto e voltado para a elaboração de políticas públicas que atendam, efetivamente, às necessidades para que o seu cidadão tenha uma vida digna. Porém, o dinheiro maldito, a sua malversação e, em particular, o despreparo em especial para o exercício do importante múnus público levam o ser humano a se animalizar a ponto de não temer uma pronta e eficaz punição. Os que assim pensam e agem incorrem em ledo engano.
A ação fiscalizadora do Ministério Público, uma das instituições mais respeitadas do Estado, por meio dos seus integrantes sempre respaldados na lei, constituem a sentinela mais avançada para coibir tais atos e defender de forma intransigente os direitos da sociedade no âmbito da Justiça. O atos ensandecidos que esses “representantes” do povo praticaram cobriram de vergonha seus mandatos e alcançaram de forma certeira os eleitores, que os sufragaram nas urnas concedendo-lhes o passaporte para a materialização dos atos criminosos e incompatíveis com o cargo eletivo.
Exatamente por isso que essa quadrilha de políticos, com suas ações reprováveis, não atingiu a sua cidade, o seu município. Não atingiu. Os prósperos municípios de Ribas do Rio Pardo e de Naviraí são muito maiores que a mediocridade de uns poucos, que tentaram denigrir a imagem construída pelos seus pioneiros. As cores das suas bandeiras, os seus brasões, os seus hinos, a galeria imensa de seus heróis, dos seus educadores, dos seus artistas, dos seus atores, enfim, da sua imensa classe trabalhadora precisam, com absoluta certeza, constituir-se na mais forte advertência de que a imensa maioria das suas populações é honesta, trabalha e não compactua com atos de desonestidade.
À Justiça cabe a inteira responsabilidade de processar e julgar os que malversaram o dinheiro público, com evidente prejuízo para população, punindo-os, na forma da Lei. E, ao eleitor, a responsabilidade é ainda maior, porque depende dele, e apenas dele, o aprendizado para que nunca mais sufrague nas urnas os representantes políticos que sejam capazes de envergonhá-lo novamente.