O assunto do momento é, sem dúvida, o artigo da senadora Marta Suplicy publicado nesta terça (27) na Folha de São Paulo e intitulado “O diretor sumiu”. Independente se o que ela diz no escrito tem razão de ser ou não, ele se constitui por si só numa bofetada na própria presidente Dilma Rousseff que a teve antes como ministra, no Partido dos Trabalhadores (PT) onde ela militou por longos anos e nos que o dirigem, independente se ela fica nele ou não.
No referido artigo, ela fala primeiro das crises atuais do governo brasileiro – econômica, política, moral, ética, hídrica, energética e institucional, e que todas elas foram gestadas por falta de transparência, de confiança e de credibilidade do atual governo. Evidente que o Brasil vive atualmente grave crise econômica, mas ela não se deve apenas à falta de transparência e ou de confiança ou credibilidade do atual governo. Ela se deve também em grande parte à grave recessão da economia mundial, especialmente em países da América Latina – onde talvez a única exceção no momento seja a Bolívia de Evo Morales, com crescimento de 6% ao ano.
Evidente que a crise econômica arrasta consigo grande parte das outras elencadas pela senadora Marta Suplicy. Mas não se pode falar em crises hídrica, energética e institucional e colocá-las nas contas apenas do governo Dilma. É bem provável que essas crises sejam geradas em grande parte pelo crescimento do País nos últimos anos, do aumento da demanda de sua população e, portanto, das necessidades crescentes do Estado brasileiro nessas áreas.
Mas a pergunta que se deve fazer desde o início de suas colocações no referido artigo, é: tem razão a senadora Marta Suplicy em algumas das críticas que faz à “diretora que sumiu”? É claro que sim!
Por exemplo, não há como justificar a escolha de Joaquim Levy para chefiar a equipe econômica de governo, uma vez que ele representa os bancos privados e o próprio FMI e está comprometido até a raiz do cabelo com as políticas neoliberais que deverão ser implantadas no País! O que esperar dessa escolha a não ser recessão e fim ou redução drástica nas políticas que visam corrigir as distorções sociais no País? E o que dizer de Kátia Abreu na Agricultura e Kassab no ministério das Cidades?
Por outro lado, como censurar Dilma Rousseff ao fazer essas nomeações ditas “de direita” se até o primeiro-ministro grego recém-eleito, Alexis Tsipras, líder do partido Syriza de extrema esquerda, teve que se aliar a um dos partidos de extrema direita para poder governar a Grécia em tempos difíceis. E o que dizer, por exemplo, dos EUA, onde os Republicanos fizeram maioria no Congresso e provavelmente vão eleger o próximo presidente americano?
Mas, afinal, será que “a diretora sumiu mesmo”, como diz a Marta? É claro que Dilma anda sumida neste início do ano, mas é provável que ela se preparava para a primeira reunião ministerial que aconteceu esta semana. Ou, quem sabe, ela espera o retorno da equipe econômica de Davos, na Suíça, a fim de anunciar à Nação seu plano de governo e metas para o novo mandato de agora? Ou se estruturando física e mentalmente para enfrentar este segundo mandato que tem tudo pra ser muito mais complicado que o primeiro? É muito provável que sim. Que Deus a ilumine.