Ser mulher parece, mais do que uma condição, um destino a ser cumprido... Talvez pelo fato de eu também ser uma, nestes “tempos de cólera” que permeiam nosso Brasil varonil, tenho sentido não revolta, mas compaixão pela mulher Dilma. Fico imaginando sua história de vida, sua maternidade, sua condição de avó... e, hoje, sendo rechaçada, repudiada, achacada, agredida, levando toda, todinha, a culpa por tudo o que esses marmanjões barbudos, semialfabetizados, esses intelectualoides – presos ou não- com cara de quem comeu e não gostou, ou com um sorrisinho debochado no canto dos lábios –, esses juízes de conduta duvidosa, enfim, esses homens do mal continuam aprontando.
Quem não está insatisfeito com a Dilma? Vixe! Na nossa Morena, cidade de povo antenado, não é diferente, apesar de, algumas vezes, a gente ter de ler, pela rede social, umas “pérolas” de que “o povo de Campo Grande é burro e idiota”. O Correio do Estado de 11/3/2015 traz os resultados de uma enquete feita com populares nas nossas ruas e que mostram a grande insatisfação com o início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff: “Todas as pessoas ouvidas defenderam o impeachment (impedimento de exercer função até o julgamento de processo de cassação de mandato) da presidente. Elas atribuem a Dilma a responsabilidade pela “roubalheira” no governo, sobretudo, na Petrobras, onde bilhões de reais foram desviados para os políticos”.
Da minha parte, eu, que tinha dúvidas a respeito da legalidade jurídica dessa figura do impedimento e em que pesem meus sentimentos de compaixão pela mulher Dilma, estou quase me convencendo da urgência da efetivação desse dito cujo impeachment. Seria bom se houvesse outra saída... Seria mais simples se a mulher Dilma, pelo bem do povo brasileiro, pelo bem dos nossos filhos, netos, vizinhos, alunos, professores e pelo seu próprio bem, juntasse suas coisinhas e fosse pra casa. A Dilma não merece morrer na praia dessa forma, enquanto um bando de “descavalheiros” observam-na se afogar, sentados sob coloridos guarda-sóis, refrescando-se com a brisa da manhã, degustando casquinhas de siri, bebendo uísque e contando piadinhas de mau gosto.
Cai fora desse barco mais do que furado, mulher Dilma. Vai pra casa dar um abraço no teu neto, chorar tudo o que tem direito, passar um batom nessa boca, que, ultimamente, tem falado umas coisas esquisitas, como se fôssemos ainda aquela gente de duas décadas atrás, com os olhos brilhando de verde esperança e coração batendo de vermelho paixão. Vai pra sua casa, mulher Dilma. No momento é o lugar mais seguro para se abrigar do tsunami previsto para domingo, dia 15.