Artigos e Opinião

OPINIÃO

Loiva Schiavo Heidecke: "Pátria educadora?"

Professora e secretária de Educação de Bonito-MS

Redação

19/03/2015 - 00h02

Nós, educadores, sempre cobramos  maior  diálogo com o  governo federal e consideramos  acerto  colocar  a  educação como prioridade. Mas, para obtermos os resultados desejados, dependemos  da implementação do Plano Nacional de Educação (PNE), com a  importante participação dos dirigentes e secretários municipais.                                                                                   

Para  que o debate evolua,   acontece na sede Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (23, 24 e 25 de março), em Campo Grande, reunião de dirigentes e secretários de educação dos 79 munícipios do Estado. O evento contará  com a presidente da União Nacional  dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho .                          

Além da eleição  da nova diretoria da  Undime-MS, entre os assuntos importantes em pauta está o Plano Municipal de Educação (PME). O PME  tem prazo final dado pelo Ministério de Educação (MEC) e cerca de 90% dos munícipios de MS ainda não concluíram o seu plano. É com esse prazo que municípios devem trabalhar para aprovar leis que criam planos municipais de educação (PME), com diretrizes e metas a serem alcançadas até 2024. A determinação está na Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, que criou o Plano Nacional de Educação (PNE), com vigência de 2014 a 2024. 

É preciso que aceleremos  esse  trabalho, pois, de julho em diante, as relações de municípios com o Ministério da Educação terão como instrumento os planos de cada unidade e estes são fundamentais para ter acesso ao Plano de Ações Articulado (PAR).               

Esses planos serão determinantes para os municípios: se, por exemplo, o ministério definir a expansão de uma universidade ou instituto federal, ele precisa saber quais são as demandas de Ensino Superior ou Técnico dos municípios de uma determinada região.

É nisso que o nosso  planejamento vai  colaborar, tem que estar previsto, escrito, senão nada feito. Mas não é somente o Mato Grosso do Sul, que preocupa  a Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (Sase) do MEC,  que  detectou problemas em outros municípios do Brasil.     Entre os 5.570 municípios, a secretaria identificou oito tipos de situação quanto à evolução dos planos: 37 municípios cumpriram todas as fases e as leis foram sancionadas; 35 já aprovaram leis; 37 enviaram o projeto de lei à Câmara de Vereadores; 37 elaboraram o projeto de lei; 95 realizaram consultas públicas; 247 fizeram o documento-base; 689 concluíram o diagnóstico; e 2.843 constituíram comissão coordenadora. Um grupo de 1.441 cidades ainda não iniciou o trabalho de adequação ou elaboração do PME e 109 municípios não prestaram informações ao Portal do PNE, onde não estão presentes   a maioria dos munícipios de MS.                                                                                                                                        
Para que o lema escolhido pelo Governo federal   – Brasil: Pátria Educadora –  saia  do papel  e  que a educação seja  realmente  o  eixo central de discussão  no  país,   governo e educadores  teremos  que demonstrar  maior disposição  para dialogar  e para a construção e condução coletiva das políticas para o setor. A   verdadeira  Educação de qualidade só acontecerá  com  os municípios engajados  nas  mudanças educacionais  que o Brasil necessita,  para se tornar realmente: A Pátria da Educação.        

O PNE  deve ser o instrumento essencial para a condução dos rumos da educação, regulando as obrigações inclusive do governo federal para não  fragilizar investimentos em setores sociais tão essenciais,  como a educação.

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