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CORREIO DO ESTADO

No editorial desta sexta-feira: 'Incógnitas do governo"

No editorial desta sexta-feira: 'Incógnitas do governo"

Redação

10/04/2015 - 00h00

Planejar e analisar são essenciais para garantir uma boa administração. Mas é indispensável avançar para além desse patamar

O governador Reinaldo Azambuja completa hoje 100 dias de gestão com dificuldades que, certamente, o fizeram adiar ou até rever alguns planos e promessas de campanha. A estagnação da economia brasileira atingiu em cheio os cofres dos estados e municípios, que precisam estabelecer alternativas para contornar os problemas. No primeiro bimestre deste ano, a receita corrente líquida do Estado teve queda de 9,1%, redução que corresponde a R$ 129 milhões. Sem dúvida, esse resultado nada satisfatório irá implicar em menos investimentos. Até agora, por exemplo, não foram lançadas novas obras ou projetos pela atual gestão. Das promessas feitas durante a disputa eleitoral, concretizou-se apenas a Caravana da Saúde, na cidade de Coxim, que ainda não chegou a municípios de outras regiões do Estado.

Permanece a incógnita sobre a redução  da alíquota do ICMS do diesel, de 17% para 12%, algo defendido constantemente pelo tucano. Pelo contrário, para decepção de muitos sul-mato-grossenses, a pauta fiscal do combustível foi reajustada, elevando ainda mais os preços que já estavam impactados pela alta estabelecida pelo Governo Federal. Não se sabe quando será concedido tal benefício, que ajudaria a garantir mais competitividade econômica a Mato Grosso do Sul. A redução permanece em análise, da mesma forma que várias outras questões relativas ao Governo permanecem pendentes em razão de estudos quase intermináveis que estão sendo elaborados desde o começo deste ano.

Planejar e analisar são essenciais para garantir uma boa administração. Mas, é indispensável avançar para além desse patamar. O Aquário do Pantanal é mais uma das perguntas sem respostas. Até agora, apesar da verba estar assegurada e dos contratos formalizados, o Governo não conseguiu fixar uma data para concluir a emblemática obra. Dessa forma, também torna-se impossível saber qual será o gasto total do empreendimento, cujos custos já ultrapassam R$ 244 milhões. Ainda nesta semana, a auditoria para analisar a legalidade dos investimentos foi prorrogada por mais 90 dias.

A atual equipe levou quase os 100 dias para levantar que precisa de R$ 192,3 milhões para concluir obras em andamento e reclamar do rombo de R$ 253 milhões herdados da gestão anterior. Em outros momentos, Azambuja já tinha se queixado dos problemas que encontrou no caixa, mas agora é o momento de procurar maneiras para reverter a situação e deixar de apenas lamentar as dificuldades. Fica a dúvida se a comissão de transição não poderia ter adiatando esse levantamento para que o atual Governo já assumisse com planos definidos para resolver os impasses.

Certamente, se os relatórios apontaram irregularidades ou incongruências são necessárias investigações e as devidas punições aos culpados.   Entretanto, é preciso avançar para as soluções e superação de dificuldades. O cancelamento de contratos com o Detran, por exemplo, alardeado no ano passado, não ocorreu. Os sul-mato-grossenses ainda esperam informações mais claras sobre diversos prazos de trabalho. Querem, agora, menos barulho e mais ações.   

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