Na passeata histórica do dia 15 de março, que tomou conta das médias e grandes cidades do nosso território, inclusive em algumas fora do Brasil, exclamava-se pelo “Fora Dilma, Fora PT, impeachment de Dilma” e até mesmo pela “volta dos militares”, referindo-se ao “movimento ou levante”, para alguns, golpe civil-militar, para outros, de 31 de março de 1964, que perdurou até 13 de outubro de 1978.
De fato, são temas que, por si só, exigiriam amplas reflexões em textos distintos. Entretanto, por opção, mas, sobretudo, pelos seus pontos em comuns, vamos aglutiná-los sucintamente em apenas um, sobretudo para não cansar por demais nossos leitores.
O levante ou golpe civil-militar de 1964, como queira, para alguns se justificou em face da iminência da transformação do Brasil em um país comunista, nos moldes como aconteceu em Cuba e em outros países que seguiram a mesma linha ideológica.
Se considerarmos essa premissa como verdadeira e se não tivesse evitado a concretização desse projeto, provavelmente estaríamos hoje em processo de mudança. Isso porque a maioria dos países que aderiram a esse processo ideológico marxista, unipartidário de transformação, a exemplo da União Soviética, Cuba, Alemanha Oriental, China, se ainda não desistiram, estão em processo de mudança, por outro motivo, senão pela conclusão de que a democracia sedimentada na livre iniciativa, excluindo-se os excessos do capitalismo selvagem, apesar dos seus inúmeros problemas, ainda é o caminho menos espinhoso para a humanidade.
Não apenas como curiosidade, mas para evidenciar que as grandes transformações ideológicas sonhadas não passavam de ilusões, atualmente somente cinco países seguem a linha comunista: China, Correia do Norte, Cuba, Laos e Vietnã. Assim mesmo, tanto a China como o Vietnã, encontram-se atualmente com suas economias abertas parcialmente ao capital externo. Daí a explicação para o sucesso econômico desses dois países, porém com altos custos aos direitos e garantias individuais aos respectivos habitantes.
Voltando a 1964, ainda que o movimento tivesse o propósito de evitar essa guinada ideológica, que de fato não interessava a grande maioria dos brasileiros, não há como contestar os excessos contra os direitos e garantias individuais praticados pelo regime militar implantado. Um custo benefício altíssimo, porém, à época, necessário para muitos.
De fato, esse foi um momento de exceção que já faz parte da história. Atualmente as instituições estão sólidas e o contexto é outro completamente diverso daquele. Com efeito, não se justifica o clamor, ainda que isolado, pela “volta dos militares”. Mesmo porque, o papel dos militares está muito bem delineado pela Constituição Federal de 1988.
Não há dúvida de que o nosso país passa por uma “crise econômica, política e de credibilidade”, como afirmou a senadora sul-mato-grossense Simone Tebet, a ponto de afirmar que “2015 será um ano perdido”. Os fatos são incontestes nesse sentido. A baixíssima aprovação da presidente Dilma, revelada pela recente pesquisa de opinião (64,8% ruim ou péssima), reproduz com precisão esse quadro. A energia acaba de ter o 4º reajuste. O que justifica, com efeito, as manifestações de protestos contra o governo federal e até mesmo ao seu partido político (PT), a exemplo do que ocorreu no dia 15 de março e que deve se repetir no próximo dia 12, organizado pelo movimento intitulado “Vem Pra Rua”.
Isso tudo é reflexo da péssima administração anterior, da maquiagem feita para ganhar a eleição presidencial, associada aos escândalos da corrupção de que foi vítima a Petrobras e a sociedade brasileira como um todo. É o preço da má gestão e do “estelionato eleitoral”.
Contudo, talvez o impeachment não seja o melhor caminho para se resolver esses problemas. O eleitor brasileiro perdeu o time de se livrar da gestão Dilma, que seria nas urnas. Estamos pagando o alto preço pela opção errada. Agora nos resta esperar por soluções política e de gestão adequadas, pois, do contrário, estarão perdidos não apenas 2015, mas os próximos quatro anos do governo Dilma.