Na quinta-feira (09/04/2015), o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, prestou depoimento na Câmara dos Deputados perante a Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI da Petrobras. Vaccari foi acusado nas delações premiadas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, do ex-gerente de Serviços e Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, e do doleiro Alberto Youssef, de realizar captações ilícitas para a campanha do Partido dos Trabalhadores.
Em mais de oito horas de sessão, como já era de se esperar, Vaccari se declarou inocente e eximiu de responsabilidade o PT, quanto a todas as acusações de ter recebido recursos ilícitos oriundos de desvios fraudulentos de contratos superfaturados da estatal brasileira para campanha eleitoral do partido.
O tesoureiro depôs na condição de acusado, escudado no princípio de que “ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo”, o que lhe furtou o dever com a verdade e o levou a tergiversações, mentiras e falta de objetividade em seu estéril depoimento, que nada acrescentou às investigações. Tamanho foi o circo armado por Vaccari que teve o despautério de alegar que esteve no escritório do doleiro Alberto Youssef apenas em uma ocasião, a convite deste, mas não soube – ou melhor, não quis -, elencar quais seriam os “motivos” do convite do doleiro. Neste contexto, mais uma prosopopeia da política brasileira, que redundou apenas em discussões partidárias sem qualquer esclarecimento relevante ou resultado positivo para a até então inócua CPI da Petrobras.
No entanto, a sessão para oitiva de Vaccari seria apenas mais uma, como tantas outras, que terminaria em “pizza”, não fosse um episódio inusitado que a temperou com um ingrediente abrasileirado. O servidor da Câmara Marcio Martins de Oliveira soltou ratos (hamisters) no plenário da CPI, enquanto o tesoureiro o adentrava ladeado por diversos deputados do partido. A despeito de o servidor ter sido preso e exonerado, o seu gesto representou a vontade da grande maioria da população brasileira ao externar a revolta e indignação com os acontecimentos políticos vivenciados no País nos últimos tempos. Sua pacífica e significativa manifestação deixou mais um recado direto para os políticos de intolerância à corrupção no Brasil. Seu manifesto foi objeto dos noticiários mundo afora.
Realmente, ratos são seres repugnantes que agem de forma sorrateira, atalhando caminho para subtrair alimento. Devem ser mantidos longe da convivência humana, na medida em que apenas contaminam com diversas moléstias de que são transmissores. O detalhe é que homens e ratos possuem 99% de compatibilidade de genes. Os ratos do congresso foram perseguidos, presos e saíram engaiolados. Neste sentido, o que separa os ratos dos corruptos é apenas 1% de carga genética. Portanto, qualquer semelhança não será mera coincidência.