É preciso chegar a entendimento para que os investimentos com a Guarda Municipal não acabem gerando apenas prejuízos à população
Não faz nem um mês que os 305 guardas municipais de Campo Grande formaram-se em treinamento feito com a Polícia Militar e passaram a desenvolver atividades diferenciadas, com a liberação para utilizarem armas não-letais (taser). Agora, eles cuidam do trânsito (aplicando até multas) e auxiliam nas rondas para levar mais segurança às ruas da Capital. Inicialmente, tem-se a impressão de que as novas atribuições serão muito bem-vindas e ajudarão a garantir mais proteção aos moradores. No entanto, nesse pouco tempo, já tivemos graves problemas. Primeiro, foi o fato de a administração municipal delegar as novas funções sem suprir a carência que esses profissionais deixaram. Hoje, diversos prédios públicos ficam abandonados, sem a vigilância simplesmente porque os guardas estão fazendo patrulhamento ou no período de treinamento. Resumindo, como diz o adágio popular, “descobriu-se um santo para cobrir outro” - algo que, comprovadamente, não dá certo.
No último fim de semana, o atendimento a ocorrência terminou em confusão entre guardas e policiais militares. Um homem denunciou ter sido agredido e, ironicamente, o tumulto acabou se transformando em “caso de polícia”, com denúncias partindo de ambas as corporações. É preciso chegar a entendimento para que os investimentos com a Guarda Municipal não acabem gerando apenas prejuízos à população. Nesse fim de semana, tivemos outra consequência funesta do desvirtuamento de funções. A Unidade Básica de Saúde do Bairro Estrela do Sul foi furtada e depredada. Computadores e outros equipamentos foram levados. No mês passado, invasão semelhante ocorreu no posto de saúde do Parque do Sol e, recentemente, um Centro de Educação Infantil (Ceinf) também teve materiais furtados. Os dois locais estavam sem guardas.
Poderíamos ainda contabilizar outras situações em que há flagrante descaso com a proteção ao patrimônio, onde os vândalos praticamente dominam. É o caso dos terminais de ônibus. Nas paredes dos banheiros, tornou-se um desafio encontrar os espaços sem pichações. Além disso, são constantes as reclamações dos passageiros que precisam conviver com tumultos constantes e brigas, envolvendo principalmente estudantes. A prefeitura de Campo Grande chegou a cogitar a contratação de seguranças particulares para monitorar esses espaços. Desistiu da ideia em razão dos custos e até mesmo da incoerência de precisar pagar pelos cuidados nos locais onde são recebidos os “clientes” das concessionárias do transporte coletivo.
A Orla Ferroviária, obra fracassada que custou R$ 10 milhões e hoje serve apenas como abrigo para moradores de rua, é outro retrato do abandono. Ontem, um dos vagões onde deveriam estar funcionando lanchonetes foi queimado. A relamação da falta de segurança é frequente e, por isso, a ideia de transformar o espaço em atrativo de lazer não se concretizou.
A prefeitura tem a obrigação de zelar pelo patrimônio público e não pode se omitir por mais que tenhamos necessidades urgentes na segurança pública, que é atribuição do Estado. Até agora, não vimos os reais benefícios da tão anunciada reformulação na Guarda Municipal.