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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta quarta-feira: "Dinheiro jogado fora"

Editorial desta quarta-feira: "Dinheiro jogado fora"

Redação

22/04/2015 - 00h00

Dinheiro público foi jogado fora, mas a administração não deu a devida importância e manteve o histórico de abandono que perdura da época 
da “Boca do Lixo”

O descaso e abandono persistem por décadas e representam a ineficiência de gestores com espaços ou obras. Em Campo Grande, são vários locais que evidenciam o quanto a leniência do poder público pode acarretar prejuízos aos cidadãos. Na edição de hoje, o Correio do Estado mostra a região da Orla Ferroviária, alvo de vandalismo e da insegurança há mais de 30 anos. Na década de 70, o trecho onde ficavam os trilhos – abrangendo a Avenida Calógeras, desde a Mato Grosso, a Antônio Maria Coelho, a Maracaju, a Cândido Mariano, a Dom Aquino e até mesmo os arredores da antiga rodoviária – era conhecido como “Boca do Lixo”. Apesar dos investimentos milionários em revitalização e do tombamento dos trilhos, esse estigma ainda permanece inalterado.

A ideia era criar um polo gastronômico, com a instalação de nove quiosques que ofereceriam diferentes opções de culinária típica. A realidade difere totalmente do que foi projetado. Hoje, apenas dois dos pontos comerciais continuam funcionando.

O problema é que, apesar dos investimentos em infraestrutura, nada foi feito para garantir mais segurança à região, reivindicação que se repete há anos. Os comerciantes precisam conviver com a presença constante de usuários de drogas e vândalos, algo que, sem dúvida, afugenta os clientes.

Desde o começo é solicitada a permanência de guardas municipais na região, mas, como já mencionado neste mesmo espaço, a preservação do patrimônio público foi deixada de lado com as novas atribuições delegadas a esses servidores. Os guardas passaram a trabalhar em rondas pelas ruas, abordagens e até fiscalização no trânsito, mudança que já acarretou problemas com invasão e depredações a prédios públicos. Ainda neste mês, um dos quiosques abandonados pegou fogo e ficou destruído. Dinheiro público foi jogado fora, mas a administração não deu a devida importância e manteve o histórico de abandono que perdura da época da “Boca do Lixo”.

Facilmente, podemos elencar outros dois espaços emblemáticos que representam o desperdício da verba pública em decorrência do abandono. Ninguém sabe quando veremos concluídas as obras do Hospital do Trauma ou do Centro de Belas Artes. Em ambos, as construções iniciaram-se para atender a outras necessidades da população, mas, diante da demora, acabaram alteradas. O primeiro seria uma maternidade, o segundo abrigaria a rodoviária da cidade. Até mesmo as mudanças de projeto foram usadas como desculpa para justificar os atrasos. A verdade, porém, é que esbarramos em falhas e na ineficiência em cumprir a burocracia, apanágio que se tornou indispensável para tentar evitar os casos de desvio de dinheiro ou o favorecimento a empresas, o que acompanhamos em tantas obras pelo País.

Certamente, ainda ouviremos, nas próximas campanhas eleitorais, as promessas de que os três espaços elencados acima receberão a devida atenção do poder público. As décadas de abandono só corroboram a dificuldade de confiar nas mudanças. Estamos há quase 30 anos convivendo com retrocesso e erros do passado. 

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