O saldo de empregos serve como termômetro das condições financeiras de determinada localidade. Decorre do avanço em investimentos, que estão diretamente atrelados ao desenvolvimento das cidades. Mato Grosso do Sul é exemplo desse processo, em que migrantes chegaram ao Estado em busca de novas oportunidades. Dessa forma, conseguiram melhorar a própria renda e também contribuíram para a evolução do local que escolheram para viver. A conjuntura atual – em que a crise econômica nos assusta e impõe sacrifícios à população – faz com que esses relatos fiquem cada vez mais no passado. Os sonhos, as promessas e as esperanças, que outrora impulsionaram o crescimento do Estado, já não podem continuar com a mesma intensidade. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) demonstram as restrições e sinalizam as dificuldades que ainda estão por vir. Em todo o Estado, no mês de março, foram criadas apenas 48 vagas de empregos, pior saldo dos últimos 12 anos. O recorde de desemprego, infelizmente, repete-se há três meses e os índices do ano passado também não podem ser considerados satisfatórios.
O contexto é preocupante em vários aspectos. O setor da construção civil é o que mais retrocede, liderando a queda de vagas. Mais um dado que comprova a estagnação. Nos últimos anos, acompanhamos no Estado avanços significativos no ramo, com novos empreendimentos residenciais, investimentos para garantir melhor infraestrutura e até surgimento de grandes indústrias. Houve necessidade, inclusive, de trazer mão de obra de outros estados, a exemplo do que aconteceu na cidade de Três Lagoas. A derrocada econômica refletiu na questão social, pois famílias passaram a enfrentar aumentos nos gastos e não contam mais com tantas possibilidades de melhorar a renda. Sem contar, o alto número de desempregados.
O governo federal já anunciou contingenciamento de recursos, interrompendo investimentos, principalmente de obras que seriam executadas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Sem dúvida, a medida também reflete no péssimo desempenho na construção civil. O comércio, nesse mesmo contexto, sofre os impactos da crise financeira. O caminho agora, sem dúvida, é encontrar meios para reverter essa situação. No entanto, a União continua a apostar somente no ajuste fiscal para tentar salvar a malfadada política econômica, marcada pelos equívocos que ainda não foram corrigidos. Apostar no incentivo aos consumidores, como ocorreu na primeira gestão de Dilma Rousseff, parece impossível. A intenção de consumo das famílias sofreu a quarta queda consecutiva. Frear os gastos, afinal, parece inevitável para evitar o descontrole das finanças.
O ajuste das contas públicas é indispensável para retomar a credibilidade abalada pelas falhas econômicas. Só assim, o Brasil deve retomar os investimentos e, quem sabe, a trajetória em busca das melhores oportunidades de emprego possa continuar a ditar o rumo do desenvolvimento de várias regiões do País, a exemplo de Mato Grosso do Sul. Não podemos continuar acompanhando os sucessivos recordes negativos de emprego, as incoerências no Orçamento e os prejuízos milionários ocasionados pela corrupção.