Estamos passando por uma crise de autoridade. Nações mal governadas. Empresas mal administradas. Escolas mal conduzidas. Famílias desnorteadas na educação e no encaminhamento dos filhos. Igrejas mal pastoreadas, preocupadas com o enriquecimento e em se sobrepor às demais. E o povo perdendo o rumo de sua crença.
Faltam pastores. Faltam pastores sábios e humanos. Sábios ao ponto de serem capazes com humildade incentivar o cultivo de valores morais e éticos que se encontram fragilizados. Humanos no sentido de incentivar as pessoas a serem justas e honestas, fraternas e solidarias.
Faltam pastores. São muitos os aventureiros. São muitos os que imaginam um mundo de acordo com seu modo de pensar e de interpretar a realidade. Chegam a pensar nos pobres. Mas guardam distância. Se sensibilizam com os doentes. Mas não dedicam tempo para eles. Constatam a violência nas ruas, na política e até nas famílias. Mas fecham-se no comodismo.
Faltam pastores. Esses seriam os únicos que, sensíveis ao sofrimento, abririam o coração e passariam a semear amor e misericórdia. Não pensariam em dar esmolas. Pensariam em abrir caminhos e incentivar a caminhar. Pensariam em possibilitar oportunidades e meios para construírem por si seu modo de viver feliz.
Os verdadeiros pastores são os que pensam e criam ambientes nobres de convivência e de entendimento apesar das maneiras diversas de interpretar a realidade. Cada qual é livre em interpretar, mas suficientemente culto para respeitar.
O bom pastor, Jesus Cristo, vendo a realidade do povo que se encontrava sofrido e sem rumo, compadeceu-se e se pôs como arrimo e como garantia de que tudo faria para salvá-lo.
Corajosamente declara: “Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou a vida pelas ovelhas”. (Jo.10,11-18)
Um pastor diferente. Não pensa em si. Pensa e ama cada ovelha. Não faz distinção. Todas merecem seu carinho e seu amor, sua ternura e compaixão. Especialmente as doentes e as fracas recebem uma atenção especial. Não olha se são ricas ou pobres. Todas recebem o mesmo cuidado.
Essa é uma lição profunda para o mundo atual. O mundo valoriza a partir da posição social e do poder aquisitivo. Ricos e poderosos tem vez e tem lugar. Está faltando a sensibilidade do bom pastor.
Nós ainda não alcançamos essa sabedoria. Existe muita inveja e muito ciúme destruindo sonhos e desfazendo esperanças. Existe muita distância entre as pessoas. Perdeu-se o espírito de solidariedade e de compaixão. Passou-se para o mundo egoísta e interesseiro.
Até entre igrejas existem guerras, disputas para ver quem tem a verdade, quem possui o poder de salvar. Falta a humildade do pastor. Estão faltando a solidariedade e o carinho em tratar as ovelhas como só o bom pastor as trata.
Creio que essa crise de relacionamento e de supremacia em breve se transformará em alegria e em convivência. E então haverá um só rebanho e um só pastor.