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OPINIÃO

Hermano Melo: "O discurso de Dilma no 1º de maio"

Jornalista e escritor

Redação

01/05/2015 - 00h00

Ministros que fazem parte da coordenação política da presidente Dilma Rousseff foram unânimes em recomendar que a presidente – e parece que ela acatou a ideia – não faça o tradicional discurso de primeiro de maio, Dia do Trabalhador, em cadeia de Rádio e TV. E a razão para tomada dessa decisão, embora negada por ela, é simples: medo que haja panelaço semelhante ao que ocorreu no Dia da Mulher, em março passado.

Em vez disso, conforme anúncio feito pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo federal, Edinho Silva, Dilma deverá fazer o pronunciamento oficial apenas via redes sociais. Segundo o ministro, “essa é uma forma de valorizarmos outros modais de comunicação e a presidenta não precisa se manifestar apenas em cadeia nacional. Mas ela vai continuar utilizando a televisão, a cadeia nacional, quando for necessário”.

Mas o problema parece que não é só este. É que, em meados de maio, o governo espera aprovar em comissões especiais do Congresso duas medidas provisórias que alteram o acesso a benefícios previdenciários e trabalhistas. Embora haja divergência sobre alguns aspectos do ajuste fiscal, a base aliada do governo chegou à conclusão que é preciso aprovar algumas dessas medidas contrárias aos interesses dos trabalhadores.

Outro quiproquó parece estar relacionado com o seguro-desemprego, que o governo quer aumentar de seis para 18 meses o tempo de trabalho para uma pessoa pedir o benefício pela primeira vez, embora o relator da medida provisória no Congresso, Paulo Rocha (PT-PA), sugeriu carência de 12 meses.  

Apesar da pauta polêmica com as centrais sindicais, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), acredita, porém, que o projeto de lei da terceirização, patrocinado pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é que vai dar o tom dos protestos de primeiro de maio.

Apesar de todas essas pedras no caminho de Dilma Rousseff, seria deveras importante que ela se dirigisse aos trabalhadores, quando das comemorações do dia primeiro de maio, em cadeia de Rádio e TV e não por meio de redes sociais. E mais: explicasse da melhor forma possível as dificuldades que o Brasil atravessa e como ela pretende sair do imbróglio em que o País está metido, independentemente ou não da ameaça de panelaço. 

Ora, se é verdade que o panelaço se origina de lares da “classe A” brasileira, ou seja, da chamada elite econômica do País, e a presidenta Dilma estará se dirigindo, em particular, aos trabalhadores de origem mais humilde, é quase certo que o barulho metálico de frigideiras e outros apetrechos de cozinha não prejudicará demais o seu pronunciamento de 10 minutos no Rádio e na TV. 

Mas, mesmo supondo que isso ocorra, seria o caso de perguntar à presidente Dilma Rousseff: até quando vossemecê ficará recolhida e sem discursar em público, a temer vaias e panelaços da oposição inconformada?

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