O 2º Corpo de Exército (comandado pelo Gen. Vitorino), ocupava Caraguatai, ligada à Pirajú pelo telégrafo. Uma força das três armas (Infantaria, Artilharia e Cavalaria), sob o comando do Coronel Resin deveria ocupar São Joaquim. A tropa partiu para aquela vila, a 22 de setembro de 1869. As dificuldades encontradas foram imensas. Tivemos que desalojar o inimigo, levando a braço, pelas encostas íngremes, o material pesado (canhões).
A Cavalaria foi obrigada a apear. Tudo isso para transpor o desfiladeiro da Caaguazú. A força inimiga que defendia São Joaquim não ofereceu resistência e retraiu para Ium, levando consigo tudo o que havia, inclusive o mais importante: 400 cabeças de gado.Durante um mês e meio a tropa brasileira passou fome, de forma mais penosa que se possa imaginar, mas, em nenhum momento, a força pensou em abandonar sua posição, levando a noção do cumprimento do dever ao mais alto grau. Tudo se deveu à velocidade das ações que o conde D’ Eu exigiu e, em consequência dessa atitude, faltaram suprimentos para a tropa brasileira cumprir sua missão até Rosário, daí a fome.
Até então, foi um dos maiores martírios porque passou o Exército. O palmito que estava sendo usado pela tropa com alimento, escasseou de todo. O pessoal se atirou então aos carandás (uma espécie de carnaúba, existente no Paraguai), dos quais se extraía um pó.Quando o carandá(carnaúba) acabou a tropa já comia couro assado, o próprio couro de que eram feitos os arreamentos! Gloria a esses bravos perdidos na serra de Maracaju! Essa situação vivida pela nossa tropa nos serve de exemplo, porque não havia organização correspondente a um serviço de Intendência.
O pessoal do Comissariado, responsável pelo abastecimento da tropa e subordinado à Repartição do Quartel-Mestre-General era civil. Sem as responsabilidades decorrentes dos regulamentos militares, os fornecedores civis, em sua maior parte argentinos, inúmeras vezes deixaram de honrar os compromissos assumidos. Repita-se que o nosso Comandante em Chefe, o Conde D’Eu, nessa fase final da guerra, na forma atípica de uma perseguição em selvas e montanhas, imprimiu o máximo de velocidade às operações, o que dificultou o recebimento de gêneros alimentícios, já prejudicado pelo não cumprimento de compromissos por parte dos fornecedores civis argentinos. Porém, a rapidez nas ações que o jovem e impetuoso Conde (de 27 anos de idade) exigiu das tropas brasileiras, que chegaram a passar fome, como antes narrado, abreviou o término do conflito em cerca de dois anos, segundo historiadores de nomeada.
Finalmente, restaria dizer que a presente apreciação é uma singela, mas fervorosa e comovente homenagem aos militares brasileiros, que imolaram suas vidas em defesa da pátria e da bandeira, nas longínquas plagas do Paraguai, 150 anos atrás.