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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Só não vê a crise quem não quer"

Editorial deste domingo: "Só não vê a crise quem não quer"

Redação

14/06/2015 - 00h00

Diante do cenário difícil e do cofre do poder público cada vez mais vazio, os professores do município de Campo Grande parecem viver em outro planeta.

Os dados da economia estão todos disponíveis: queda na arrecadação de todas as esferas dos governos federal, estadual e municipal, mercado desaquecido, com feirões de imóveis às moscas, pátios de montadores de automóveis cheios de carros novos encalhados, aumento nas taxas de inadimplência, queda nas vendas do comércio e consequente aumento do índice desemprego, como constatado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Diante do cenário difícil e do cofre do poder público cada vez mais vazio, algumas categorias de servidores, como os professores do município de Campo Grande, parecem viver em outro planeta. Estão em greve há duas semanas, pedem 13,01% de aumento; a prefeitura, a duras penas, oferece a reposição da inflação do ano passado.Os profissionais estudam a proposta do Executivo, de 8,5% este ano,  mas não abrem mão do escalonamento do percentual restante, no máximo, até março de 2016.

O reajuste dos professores da Capital é mais que merecido, pois a categoria é a grande responsável pela formação de nossos cidadãos, e é nela que depositamos o difícil trabalho de educar nossas crianças para construir um futuro mais digno e próspero. O momento da greve, porém, é inapropriado. Os números da crise são claros, objetivos, e só não os vê quem não quer.
    Em que pese todos os problemas de gestão da atual administração municipal, a crise é determinante para as dificuldades financeiras que passa a prefeitura da Capital, resultantes da queda na arrecadação de recursos provenientes de impostos. O mesmo município que tenta encontrar uma saída para reajustar o salário de seus professores, enfrenta dificuldade para pagar em dia o salário de todo funcionalismo. A folha do mês de maio, por exemplo, foi paga somente no dia 5 deste mês, algo que não ocorria há mais de 15 anos. 

A inflação alta e a paradeira na economia brasileira, que refletem na arrecadação dos estados e prefeituras tiveram origem na política econômica desastrosa da presidente Dilma Rousseff (PT), do mesmo partido que está ligado, direta ou indiretamente, às diretorias dos sindicatos que representam os professores.

Os professores da rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul, e de outras unidades da federação, como os vizinhos Paraná e São Paulo, que também entraram em greve nos últimos dias, já enxergaram o cenário nada animador. Em um ato de bom senso, interromperam o movimento paredista. Em Campo Grande, a expectativa das 70 mil estudantes das escolas municipais que estão sem aula, dos pais destes alunos, e do restante da sociedade, é de que os professores tenham aula de contexto, entendam o mau momento da economia brasileira e retornem ao trabalho.

A continuidade da paralisação só atrasa ainda mais a busca por esforços para superar a crise. Quanto mais produtividade no setor público, e mais educação, maior a perspectiva de dias melhores. 

 

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