Somente 4% da população da Capital aprova a administração de Gilmar Olarte. Na última pesquisa do Ibope, Dilma foi considerada ótima ou boa presidente por 9% dos brasileiros
O prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte, conseguiu um feito muito difícil: ser mais rejeitado que a presidente da República, Dilma Rousseff. Conforme levantamento da Companhia de Pesquisa publicado na edição de ontem, do Correio do Estado, somente 4% da população da Capital aprova a administração do atual mandatário. Na última pesquisa do Ibope, Dilma foi considerada ótima ou boa presidente por apenas 9% dos brasileiros.
O cenário verificado pela Companhia de Pesquisa indica muitas dificuldades para o prefeito em curto e médio prazos. No momento, Gilmar Olarte tem de lidar com a mais longa greve de professores das últimas três décadas, que está longe de um acordo para que acabe, e ainda tem o desafio de equilibrar o caixa da prefeitura, com receita cada vez menor, por causa da crise econômica instalada em todo o País.
Nesta semana, anunciou o escalonamento dos salários dos servidores públicos, que receberão o pagamento de julho durante todo o mês de agosto, e não até quinto dia útil, como manda a legislação. A Prefeitura de Campo Grande não atrasava salários desde a década de 1990.
Por si só, o levantamento da Companhia de Pesquisa já é mais um recorde negativo para o prefeito de Campo Grande. Nos últimos 25 anos, nenhum mandatário foi tão rejeitado na cidade. Ele é simplesmente reprovado por 78% da população, quesito em que também perde para Dilma Rousseff, que desagrada 68%, número recorde no Brasil para um presidente eleito, desde a redemocratização.
A paradeira da administração do prefeito da Capital é um bom indicativo do que influencia nesta baixíssima popularidade indicada pela pesquisa. Para 92% dos entrevistados pelo instituto, Gilmar Olarte não fez nada de significativo desde que assumiu a prefeitura, em março do ano passado.
Olarte conseguiu outra proeza: tem alta reprovação em todas as classes sociais, de A a E, e também nas sete regiões de Campo Grande. A população tem dificuldade de lembrar algo bom que Gilmar Olarte tenha feito como administrador da cidade, talvez porque muito pouco foi realizado nos últimos meses. A obra mais citada pelo público é o Pronto Atendimento Infantil, destacado por apenas 2% dos entrevistados. Somente 1% dos entrevistados elogiou a qualidade do asfalto da Capital.
O resultado da pesquisa, no médio prazo, praticamente inviabiliza a candidatura de Gilmar Olarte à reeleição para o cargo de prefeito. Para mudar esta rejeição recorde, ele precisará inaugurar obras que prometeu e que seus antecessores abandonaram, bem como, essencialmente, voltar a pagar o salário dos servidores públicos em dia e, ainda, amenizar o caos que a saúde pública vive há pelo menos dois anos, reduzindo o tempo de espera para consultas e cirurgias.
A crise financeira, que dá sinais de que continuará forte até o próximo ano, praticamente frustra os planos de Olarte para melhorar seu índice de aprovação. Não há sinal algum de que a economia irá recuperar o fôlego neste semestre e que, consequentemente, a arrecadação da prefeitura volte a níveis aceitáveis.