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Editorial desta terça-feira: "Queda de braço inócua"

Editorial desta terça-feira: "Queda de braço inócua"

Redação

28/07/2015 - 00h00
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A paralisação é mecanismo legítimo, como alternativa extrema quando não se há mais espaço para diálogo. Porém, no caso dos professores da Reme, já ultrapassou o limite do razoável.

Depois de período de férias da greve, os professores da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande voltaram a reunir-se ontem. Durante o recesso, os grevistas resolveram aproveitar o descanso: a categoria não fez manifestações, nem reuniões para discutir as propostas do Executivo. Na primeira assembleia desta segunda-feira, a decisão foi pela continuidade da paralisação, o que pode a influenciar no calendário escolar, empurrando o término do ano letivo de 2015 para 2016.

Na discussão de ontem, muitos professores votaram pelo retorno aos trabalhos, porém, por margem mínima, manteve-se a greve. A novela arrasta-se desde o dia 27 de maio, com reivindicação de 13,01% de reajuste salarial. A prefeitura oferece 8,5% até dezembro. A principal alegação do Executivo é que não pode infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que fixa teto de 54% de gasto máximo com a folha de pagamento. O limite prudencial, o que dá o sinal de alerta que os valores estão atingindo o máximo, é de 51%.

A paralisação é mecanismo legítimo, assegurado aos trabalhadores como alternativa extrema quando não se há mais espaço para diálogo. Porém, no caso dos professores da Reme, já ultrapassou o limite do razoável. A queda de braço não terá fim enquanto os servidores da Educação não entenderem que o pedido de reajuste pode inviabilizar o caixa do Município.  Não se pode, é claro, tirar a responsabilidade da administração para o cenário caótico em que  se encontra: ainda há  cortes que podem ser feitos, como da extensa lista de comissionados  que ainda estão pendurados na folha de pagamento.   Mas, mesmo que isso seja feito, o gasto com o reajuste é acima do possível.

A prefeitura informou que apenas quatro escolas  estavam sem aulas desde o dia 27 de maio, mas, o Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais de Educação (ACP) estimam número maior. De qualquer maneira,  a pendência sem fim  prejudica pais e alunos. Sem aulas, muitas crianças ficam em casa, sozinhas, pois não há com quem deixá-los. Os que voltaram às salas não recebem tudo o que foi previsto no planejamento educacional, pois é necessário que todos acompanhem o mesmo conteúdo. Com isso, o calendário pode ser empurrado para 2016, o que irá influenciar na qualidade do aprendizado.  São alunos que irão passar pelos festejos de Natal e Ano Novo, mas ainda com pé em 2015, com pendência escolar.

Os professores da rede de Mato Grosso do Sul, depois de período de greve, retornaram às aulas no começo de junho, em que chegaram a denominador comum com a administração. É o que espera-se dos professores da rede em Campo Grande. Até agora, não houve mínimo de consenso entre as partes e prolongar o debate será cansativo e inócuo para todas as partes. Encerrar o ano escolar ainda em 2015 é o menor dos estragos  que a greve pode causar a todos os envolvidos.

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