Imagem do político sempre foi alvo de desconfiança da população. Nos últimos meses, revolta e insatisfação foram ingredientes acrescidos nesse caldeirão.
Este ano, as comemorações pelos 193 anos da Independência do Brasil ganharam um elemento a mais: os protestos contra a presidente da República Dilma Rousseff. Embora já tivessem opositores em anos anteriores, agora, o coro ganhou força e apelo cada vez mais popular. Não foi à toa que o aparato de segurança em Brasília foi reforçado, para evitar a aproximação dos manifestantes. Mesmo assim, ao longe, era possível ver os bonecos gigantes de Dilma e Lula, o “Pixuleco”, símbolo das passeatas dos últimos meses.
Em todo o País, a cena se repete e a insatisfação é evidente. Em Campo Grande, “Lula” participou do fim do desfile do 7 de Setembro, atrás das grades; “Dilma”, algemada pelo juiz “Sérgio Moro”. Mesmo sem a mesma mobilização dos primeiros protestos, a leitura que o governo federal deve fazer é que a crítica popular à gestão petista se mantém. Embora o volume nas ruas tenha diminuído, será nas urnas que este descontentamento irá se evidenciar. Pesquisas já divulgadas na imprensa são um indício do que irá ocorrer em outubro de 2016: rejeição maciça ao PT e aos investigados nas operações da Polícia Federal.
Em Mato Grosso do Sul, duas destas operações vão deixar sua marca nas eleições do ano que vem: a Operação Lama Asfáltica e a Coffee Break. Em reportagem na edição de hoje do Correio do Estado, os vereadores admitem o efeito nefasto, mesmo ainda na fase de investigação. Muitos vão ter que “começar do zero”, com foi dito por um dos parlamentares entrevistados. Para a população, que assiste a tudo com pesar, ainda é cedo para separar o joio do trigo, mas, na dúvida, ficará com o pé atrás com todos os que foram citados, mesmo como testemunhas. Isso vale principalmente no inquérito que apura suspeita de compra de votos na Câmara de Vereadores, no processo de cassação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal. Em relação à Lama Asfáltica, o que corre nos bastidores é que outras fases da investigação virão à tona, até com prisões, no que já é um dos maiores escândalos de corrupção da história do Estado.
A imagem do político sempre foi alvo de desconfiança da população brasileira. Nos últimos meses, revolta e insatisfação foram ingredientes acrescidos nesse caldeirão que irá explodir em 2016.
O eleitor no País está em aprendizado crescente, desde a redemocratização. Em cada eleição, é oportunidade de tirar uma lição com os erros e evitar reeleger os que compactuaram com as falcatruas. Para os candidatos do PT, vai ser difícil missão reverter o cenário negativo que se instalou na última gestão de Dilma Rousseff. O que se espera para o próximo ano é cautela por parte do eleitor e o máximo de transparência do candidato. O olhar criterioso sobre ele será muito mais acurado do que nas outras eleições. A escolha popular não irá admitir margem de erro.