A fraqueza política de Dilma Rousseff e as escolhas desastrosas da sua equipe contribuem para a ampliação do clima de insegurança na economia
As informações divulgadas ontem pelo Banco Central, por meio de seu relatório Focus (pesquisa feita com mais de 100 instituições bancárias para prever os dados futuros da economia e suas expectativas) mostram que, o que já estava ruim, certamente será ainda ficará pior nos próximos meses.
Se a previsão anterior era de que neste ano a economia brasileira encolheria 2,55%, agora o número previsto é ainda mais desanimador: retração de 2,70% no Produto Interno Bruto para este ano.
Para 2016, também não há boas notícias. A expectativa anterior das instituições financeiras era de que a economia voltasse a encolher no ano que vem 0,60%. Agora, o que os economistas chamam de “retração leve”, ficará em 0,80%.
Os relatórios apresentados com informações sobre a economia brasileira têm informações cada vez piores porque o governo federal está perdido nesta crise. Ele a criou, e não consegue sair dela.
As medidas apresentadas são ainda mais recessivas. Aumento de impostos só pune ainda mais quem enfrenta dificuldades, como vários setores da indústria e do comércio.
É impossível vislumbrar saída para este cenário difícil como este gastando mais e arrecadando menos, que é o que o governo tem feito.
O ciclo vicioso que a economia brasileira entrou neste ano deve ser ainda pior, porque será duradouro. Ainda não chegamos ao fundo do poço. Exemplo de que as más escolhas na política econômica punem severamente os países vem dos Estados Unidos da América, maior economia do planeta que levou pelo menos seis anos para reverter o cenário de recessão e estagnação. Só no ano passado que os números norte-americanos começaram a melhorar.
O Brasil, que tem capacidade de investimento bem menor que a economia norte-americana, infelizmente, poderá levar no mínimo um período parecido para voltar a crescer consistentemente.
A fraqueza política de Dilma Rousseff e as escolhas desastrosas da sua equipe, contribuem para a ampliação do clima de insegurança. A incerteza sobre os aumentos de impostos planejados pelo governo e a falta de rumo para o país - pois não se sabe se a presidente concluirá seu mandato - afastam os investidores nacionais e estrangeiros, e o resultado disso é cotação do dólar mais alta, juros mais altos, mais desemprego e menos dinheiro circulando.
Se o governo federal não tiver habilidade para tentar construir um futuro melhor para os brasileiros, não haverá recuperação da economia. O problema é que a presidente não tem mais cartas na manga para estimular a economia. Não pode abrir mão de receita e reduzir impostos, não tem dinheiro em caixa para programas de infraestrutura, e nem tem credibilidade para investir mais nesta área, diante dos escãndalos de corrupção desmascarados pela Operação Lava Jato.
O Brasil, no momento, infelizmente, é um barco a deriva, com o capitão perdido em meio à turbulência.